atentados terroristas

O que significam as inscrições nas armas do atacante da Nova Zelândia?

As armas e os carregadores utilizados pelo homem que atacou duas mesquitas na Nova Zelândia, provocando a morte de 49 pessoas, tinham vários nomes e datas com referência às cruzadas e crimes de ódio.

Nas fotos pode ler-se, por exemplo, o nome de Gaston IV, visconde francês que participou na primeira cruzada. Vienna 1683 remete para a resistência da capital austríaca ao cerco, dois meses, pelo Exército turco e que impediu o avanço do império otomano sobre a Europa.

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Também é visível uma referência a Sebastiano Venier, comandante das tropas venezianas na batalha de Lepanto contra o império otomano, ou a Novak Vujosevic, herói da batalha de Fundina, contra o Exército turco, em que matou 28 inimigos.

São igualmente citados acontecimentos mais recentes. É o caso do escândalo de abusos sexuais ocorrido em Rotherham, cidade do norte de Inglaterra, em que a maioria dos envolvidos eram de origem paquistanesa.

Josue Estebanez, neonazi espanhol, condenado a 26 anos de prisão por homicídio com motivações ideológicas, e Luca Traini, que no ano passado disparou sobre seis imigrantes em Itália, são outros dos nomes visíveis.

As fotos foram divulgadas pelo atacante, que transmitiu o atentado, em direto, nas redes sociais.

Viagem pela Europa na origem do ódio

Brenton Tarrant, de 28 anos, reivindicou a autoria dos disparos e escreveu um manifesto anti-imigração para justificar as ações.

No texto, o atacante explica que começou a planear o atentado terrorista depois de ter visitado a Europa, há dois anos, altura em que também passou por Portugal.

O australiano diz ter ficado "enfurecido" com a diversidade cultural existente em França.

O manifesto diz que "os europeus" estão a morrer e a ser "substituídos" por imigrantes com uma "cultura inferior e perigosa".

No documento, Tarrant, que foi detido, garante que não era a fama que o motivava e mostra a intenção de sobreviver ao acontecimento, esperando espalhar o medo.

Na sequência deste ataque, pelo menos 49 pessoas morreram e outras 48 ficaram feridas.

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