"Destruição da PAC." Agricultores "desesperados" contra possíveis cortes bloqueiam Bruxelas

Foto: Nicolas Tucat/AFP
O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal, Luís Mira, ouvido pela TSF, reconhece que os protestos mostram "o desespero dos agricultores e a sua contrariedade face à proposta" da União Europeia
Centenas de tratores e milhares de agricultores de vários Estados-membros bloqueiam as principais vias de Bruxelas desde a madrugada desta quinta-feira, em protesto contra o acordo entre a UE e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). Rejeitam ainda eventuais cortes previstos para a Política Agrícola Comum (PAC) no próximo Quadro Financeiro Multianual (2028-2034). Em declarações à TSF, o secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, reconhece que os protestos mostram "o desespero dos agricultores e a sua contrariedade face à proposta".
Nas últimas horas, registaram-se alguns confrontos entre as autoridades, com os agricultores a atirarem batatas contra os agentes e a polícia a usar gás lacrimogénio para dispersar os manifestantes. Caixotes do lixo e pneus também já foram incendiados. O secretário-geral da CAP espera que haja "abertura para melhorar esta proposta".
"Não é aceitável que o orçamento aumente 40% e que corte 20 % na PAC. É contra isso que nos estamos a manifestar: contra o desmantelar de uma política europeia que desta forma ficaria uma política nacional", sublinhou.
Luís Mira deixa também um apelo ao primeiro-ministro Luís Montenegro "para que rejeite a proposta". "Um ajustamento do orçamento é fundamental. Se colocarmos a inflação, falamos de um corte de 47% e não vale a pena falar de medidas se não se mudar o orçamento", defende.
O secretário-geral da CAP reivindica mais um problema relativamente à proposta: "Vai levar a que países com maior capacidade financeira possam ajudar os agricultores de uma forma que Portugal, por exemplo, não vai ajudar."
Adicionalmente, o agricultor mostra preocupação com "a destruição da arquitetura da PAC e a sua fusão no orçamento com outros conjunto de fundos europeus".
O acordo com o Mercosul e a respetiva cláusula de segurança para os agricultores europeus deverá ser discutido e aprovado na sexta-feira pelos Estados-membros, por maioria qualificada, permitindo que Ursula von der Leyen viaje para o Brasil no sábado para assinar um acordo que levou 25 anos a fechar.
Um grupo de países, liderado pela França, rejeita o acordo, tendo a Itália um papel decisivo para haver uma minoria de bloqueio (têm de representara 65% da população da UE).
Os presidentes do Conselho Europeu, António Costa e a líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, receberam esta quinta-feira, em Bruxelas, representantes dos agricultores da União Europeia (UE), numa reunião "boa e produtiva". Os representantes estão-se a manifestar, esta quinta-feira, na cidade.
Numa mensagem divulgada nas redes sociais no final do encontro, António Costa, classificou a reunião como "boa e produtiva".
Thank you to @COPACOGECA for a good and productive meeting.
- António Costa (@eucopresident) December 18, 2025
In times of uncertainty, our farmers need reliability and support.
And Europe will always stand behind them.
With strong, sustained support in the EU budget.
Targeted help for small and family farms, and young... pic.twitter.com/xeCvR6eqoA
"Em tempos de incerteza, os nossos agricultores precisam de fiabilidade e apoio e a Europa estará sempre ao lado deles com um apoio forte e sustentado no orçamento da União Europeia (UE)", acrescentou ainda o antigo primeiro-ministro português.
