
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
Foto: Ohad Zwigenberg/EPA (arquivo)
O Gabinete do Presidente considerou o pedido "extraordinário", com "implicações significativas". Em declarações à TSF, Marco Farias Ferreira, especialista em política internacional, considera que este é um pedido "estranho" que vai aumentar as divisões internas
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu ao Presidente Isaac Herzogque que lhe concedesse um indulto durante o seu longo julgamento por corrupção, que está a dividir o país.
Num comunicado divulgado este domingo, o gabinete do primeiro-ministro informou que Netanyahu havia apresentado um pedido de perdão ao departamento jurídico do Gabinete do Presidente. O Gabinete do Presidente considerou o pedido "extraordinário", com "implicações significativas".
Em declarações à TSF, Marco Farias Ferreira, especialista em política internacional, considera que este é um pedido "estranho" que vai aumentar as divisões internas.
"É uma espécie de admissão sem ser diretamente, é uma admissão de culpa de Netanyahu nos diferentes casos de corrupção e suborno, sem que ainda haja uma condenação. Netanyahu antecipa-se e pede ao Presidente esse indulto. Está a invocar a sua função de grande defensor de Israel, de único garante de segurança para pedir o indulto por motivos de interesse nacional", explica à TSF Marco Farias Ferreira.
Para o especialista em política internacional, "este processo de limpeza da imagem e de resolução artificial de um problema claro de corrupção só pode alimentar mais divisões internas e pode ser um problema interno para Israel nos próximos tempos".
O pedido surge semanas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter instado Israel a perdoar Netanyahu. Por isso, Marco Farias Ferreira acredita também que o pedido pode ter um impacto negativo para o chefe de Estado norte-americano e colocar em causa o papel mediador dos EUA.
"Mostra o alinhamento total e incondicional dos Estados Unidos com este Governo de Israel e põe em causa o papel de mediador dos Estados Unidos neste processo de pacificação em Gaza. Trump não está interessado numa paz justa, nem na pacificação da Palestina, mas, sim, em favorecer a posição de Israel e de Netanyahu, que vê como o único aliado possível. A permanência de Netanyhau no poder é a condição de consolidação dos interesses de Trump na região."
Netanyahu é o único primeiro-ministro em exercício na história de Israel a ser julgado, após ter sido acusado de fraude, abuso de confiança e aceitação de subornos em três casos distintos, nos quais é acusado de trocar favores com apoiantes políticos ricos. Ainda não foi condenado por nada.
Na sua primeira resposta, o gabinete da Presidência de Israel evitou pronunciar-se imediatamente e indicou que irá estudar a situação cuidadosamente.
"Trata-se de um pedido de clemência extraordinário com implicações importantes. Depois de receber todas as opiniões, o Presidente do Estado irá considerá-lo com responsabilidade e seriedade", informa a nota, publicada pelo canal 12 da televisão israelita.
Notícia atualizada às 14h09
