Estónia barra turistas russos e pede para resto da União Europeia fazer o mesmo

"A Estónia decidiu não aceitar mais pessoas da Rússia, que são titulares do Visto Schengen concedido pela Estónia, para entrar no país", anunciou o Governo estoniano.

A Estónia anunciou esta quinta-feira que vai proibir a entrada no país de cidadãos russos com visto Schengen, normalmente usado para turismo, instando os outros Estados-membros da União Europeia (UE) a fazerem o mesmo, como exigido pela Ucrânia.

"A Estónia decidiu não aceitar mais pessoas da Rússia, que são titulares do Visto Schengen concedido pela Estónia, para entrar no país", anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros estónio, Urmas Reinsalu, numa publicação na sua conta oficial da rede social Twitter.

"Apelo a outros governos [da UE] para que sigam tais passos", adiantou Urmas Reinsalu, naquela que é a primeira decisão no espaço comunitário nesta matéria.

O visto Schengen é uma autorização emitida por um Estado-membro da UE para uma estadia de curta duração, até 90 dias, que permite ao seu portador passar as fronteiras internas no espaço europeu para efeitos de turismo, visita familiar, negócios, trabalho sazonal, trânsito, entre outros.

A Estónia, a Letónia e a Finlândia defenderam esta semana a suspensão da emissão de vistos a turistas russos, alegando que "viajar para a Europa é um privilégio, não um direito humano", como declarou a primeira-ministra estónia, Kaja Kallas.

O país do Báltico planeia ainda propor formalmente a proibição de vistos russos na UE este mês.

Antes, na segunda-feira, numa entrevista divulgada pelo jornal norte-americano The Washington Post, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sugeriu que a medida contra os turistas russos deveria ser adotada por todos os países ocidentais.

A Rússia criticou estes apelos, considerando-os irracionais.

Hoje mesmo, questionada sobre tais apelos na reunião diária da Comissão Europeia, em Bruxelas, a porta-voz comunitária para os Assuntos Internos, Anitta Hipper, lembrou que "apenas os Estados-membros podem restringir a emissão de vistos", como solicitado por Volodymyr Zelensky, adiantando que tal avaliação deve ser feita de forma individual e que existe a possibilidade de rejeição perante ameaça à segurança pública.

Ainda assim, Anitta Hipper lembrou que "os Estados-membros devem respeitar as suas obrigações internacionais e assegurar que há sempre vistos que são concedidos, tais como vistos humanitários, vistos para membros da família, jornalistas ou dissidentes".

Devido à invasão russa da Ucrânia, Bruxelas já suspendeu parcialmente o seu acordo de facilitação de vistos com a Rússia, uma alteração que afetou os vistos para diplomatas, empresários e outros oligarcas próximos do regime russo, mas não cidadãos comuns.

Em maio passado, o executivo comunitário publicou diretrizes para os Estados-membros e respetivos consulados sobre como implementar as novas recomendações em matéria de vistos, estando atualmente em contacto com os países da UE para ver como estas estão a ser implementadas.

A decisão da Estónia surge depois de, na quarta-feira, o parlamento da Letónia ter declarado a Rússia como um Estado patrocinador do terrorismo pela sua violência na Ucrânia e apelou para que a UE restrinja os vistos turísticos a cidadãos russos e bielorrussos.

Os países ocidentais têm decretado sucessivos pacotes de sanções económicas contra a Rússia por ter invadido a Ucrânia.

Vários países também têm fornecido armas à Ucrânia para combater as forças russas.

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