Apoiar Marques Mendes em vez de Cotrim? IL acusa Montenegro de pôr PSD à frente do país

António Cotrim/Lusa
Mariana Leitão considerou que a "decisão partidária" de Montenegro não teve adesão dentro do próprio partido, colocando o país perante um "abismo político" que impede reformas futuras
Durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro desta quarta-feira, Mariana Leitão, líder da Inicitiva Liberal (IL), deixou uma questão a Luís Montenegro: "Por que é que decidiu colocar os seus interesses partidários à frente do interesse do país?"
Referia-se ao apelo, rejeitado por Montenegro, que fora feito por João Cotrim Figueiredo para que este apoiasse a sua candidatura presidencial, em vez da de Luís Marques Mendes.
Luís Montenegro disparou: "Se há alguém que encarou as eleições presidenciais sob o ponto de vista do interesse partidário, com todo o respeito, foi a senhora deputada, porque deixou de ser candidata presidencial para assumir um cargo partidário."
Mariana Leitão defendeu-se, afirmando que tomou uma opção estratégica para defender o interesse do seu partido, que, alegou, é também do interesse do país.
A líder liberal considerou que a "decisão partidária" de Montenegro não teve sequer adesão dentro do próprio partido e "não é neutra", colocando o país perante um "abismo político", ao impedir reformas no futuro.
A deputada acusou o primeiro-ministro de tentar vender aos portugueses a perceção de que "vivemos num país das maravilhas", mas, assegurou, "os portugueses já não se deixam enganar".
"A IL tem a oportunidade de ter um papel positivo neste círculo governativo"
Mariana Leitão queixou-se ainda de que as reformas propostas pela IL são sempre chumbadas pela bancada do PSD no Parlamento e pediu ao Governo que governe para o país e não para as estruturas partidárias.
Em resposta, o primeiro-ministro referiu que ainda não compreendeu o porquê de a IL se ter retirado da esfera de partidos disponíveis para encontrar soluções para o país, "precisamente para contrariar os oito anos de estagnação com Governos socialistas".
Recorreu, por isso, à afirmação do deputado do Chega Pedro Pinto, que admitiu fazer "pactos com o diabo", e questiona com quem os liberais querem fazer trabalhar: "Admito que a IL possa manifestar alguma discordância por nem todas as suas ideias serem aceites em algumas iniciativas legislativas. Um Orçamento de Estado (OE) que diminiu impostos sobre os rendimentos do trabalho e um liberal está contra isto? Vota contra?"
Apontou ainda a simplificação e a reforma de Estado prevista no OE e, "ainda que não tenha ido tão longe" quanto gostariam, afirmou que não entende por que razão os liberais ficaram "ao lado da esquerda ou da direita mais extremista".
"A IL tem a oportunidade de ter um papel positivo neste círculo governativo", apelou.
Por fim, Montenegro afirmou que o regime fiscal sobre trabalho em Portugal é o "mais vantajoso do mundo" para os jovens e sentencia: "Um liberal acha que isto é pouco? Se tem vontade venha, se não tem assuma."
