Carneiro desafia Montenegro: "não pode haver neutralidade política" face a "candidato que atenta contra democracia"

O líder do PS falava à margem do almoço comemorativo do 30.º Aniversário da Associação de Apoio aos Deficientes Visuais de Braga
Créditos: José Coelho/Lusa
José Luís Carneiro rejeita ainda a ideia de que o PS tenha demorado a apoiar António José Seguro na sua candidatura à Presidência da República: "Como se vê, foi no tempo certo"
O secretário-geral do PS desafia o primeiro-ministro a clarificar a sua posição, depois de Luís Montenegro ter anunciado que o seu partido não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições presidenciais. Para José Luís Carneiro, "não pode haver neutralidade política" entre a "democracia e aqueles que atentam contra a democracia".
Questionado pelos jornalistas na Póvoa do Lanhoso, distrito de Braga, sobre a posição do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que anunciou que o PSD não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições presidenciais, Carneiro afirma que, "entre a democracia e aqueles que atentam contra a democracia, não pode haver neutralidade política".
"Do meu ponto de vista, ele [Luís Montenegro] deve ter uma posição mais clara sobre se está do lado dos valores constitucionais e do lado dos valores democráticos ou se está do lado daqueles que atentam contra os valores constitucionais e contra os valores democráticos", defende.
E rejeita ainda a ideia de que o PS tenha demorado a apoiar António José Seguro na sua candidatura à Presidência da República.
"Como se vê, foi no tempo certo, foi nos termos adequados e no tempo certo. Como bem disse sempre, o apoio foi praticamente unânime nos órgãos nacionais do Partido Socialista. E bem se sabe que esse apoio foi fundamental, mas o mérito, a noite de ontem [domingo], foi uma noite de António José Seguro", nota.
O líder do PS, que falava à margem do almoço comemorativo do 30.º Aniversário da Associação de Apoio aos Deficientes Visuais de Braga, lembra que, ainda antes da primeira volta das eleições presidenciais, foi "muito claro" sobre quem apoiava numa eventual segunda volta entre o candidato apoiado pelo PSD/CDS-PP e pelo líder do Chega, André Ventura.
"O Partido Socialista, perante um quadro eleitoral em que esteja o doutor Luís Marques Mendes de um lado e André Ventura do outro lado, nós não temos dúvidas em apoiar o candidato que defende os valores democráticos e constitucionais, neste caso o doutor Luís Marques Mendes", sublinha.
António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 8 de fevereiro, depois de, no domingo, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obtido 23%.
