"Comportamentos que parecem cair no ridículo." Marques Mendes acusa Cotrim de ser "um catavento"

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
Luís Marques Mendes considera que Cotrim Figueiredo põe-se agora "ao lado do Governo "só para conquistar votos"
O candidato presidencial Luís Marques Mendes acusou esta sexta-feira o adversário na corrida a Belém João Cotrim Figueiredo de ser "um catavento", com alguns "comportamentos ridículos", e considerou que "não tem crédito para ser candidato presidencial".
"Eu acho que há alguns comportamentos do candidato da Iniciativa Liberal que me parecem cair no ridículo, serem completamente ridículos", criticou, afirmando que o candidato apoiado pela IL escreveu ao Governo para "dizer que aparentemente está muito próximo, apaixonado pelo Governo", mas há um mês "considerava o Orçamento do Estado apresentado pelo Governo um orçamento péssimo".
O candidato apoiado por PSD e CDS-PP falava aos jornalistas no final de uma visita à Associação Social dos Idosos da Amoreira (no concelho de Cascais, distrito de Lisboa), no sexto dia da campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Luís Marques Mendes considerou que Cotrim Figueiredo põe-se agora "ao lado do Governo "só para conquistar votos".
"Acho que isto é um bocadinho ridículo", salientou, pedindo "um bocadinho mais de decência e de coerência".
O candidato a Presidente da República assinalou igualmente que o adversário "agora parece apaixonado pela ideia de ser candidato presidencial ou de ser Presidente da República, mas há uns meses dizia publicamente, preto no branco, que não gostava da função presidencial, que gostava de uma função mais executiva, que a função presidencial não o fazia feliz".
"Quem se comporta desta maneira não tem crédito para ser candidato presidencial. Acho que isto é, de facto, um pouco o grau zero da vida política. Suceda o que suceder, eu nunca me comportarei desta forma", afirmou.
Luís Marques Mendes acusou Cotrim Figueiredo de "andar aos ziguezagues" e de parecer "um catavento".
Questionado sobre ele próprio também já ter salientado o facto de ter criticado o Governo em algumas ocasiões, o candidato presidencial referiu que "a questão não é essa, a questão são opções de fundo em que hoje está no oito e amanhã está no 80".
"Não é possível há um mês considerar-se que o Orçamento de Estado, que é o principal instrumento do Governo, é mau, e depois agora já se escreve ao Governo que se está muito próximo e se quer apoiar o Governo. Evidentemente que isto é apenas e só um instrumento para conquistar votos, mas as pessoas percebem que são ziguezagues", criticou.
Mendes considerou também que "neste momento é importante" apelar ao voto dos indecisos, sustentando que "as pessoas hoje em dia decidem cada vez mais tarde, mais em cima das eleições".
Questionado se é um problema para a sua candidatura os eleitores que votaram AD e agora estão indecisos, o candidato apoiado por PSD e CDS recusou, considerando que a questão é mais geral, é "absolutamente natural" haver indecisos, e que "as pessoas estão cansadas de eleições".
Na quinta-feira o candidato presidencial Cotrim Figueiredo enviou uma carta ao primeiro-ministro comprometendo-se a ser um aliado do Governo e a dar-lhe "respaldo político" se decidir avançar com reformas na saúde, economia e segurança social.
Nesta visita inserida na campanha eleitoral para as presidenciais de 18 de janeiro, Luís Marques Mendes contou com a presença e o apoio do conselheiro de Estado e ex-dirigente do CDS-PP António Lobo Xavier, da deputada do PSD e vice-presidente da Assembleia da República, Teresa Morais, do secretário de Estado da Administração Interna e vice-presidente do CDS-PP Telmo Correia, do secretário-geral centrista, Pedro Morais Soares, e do presidente da Câmara Municipal de Cascais, eleito pelo PSD, Nuno Piteira Lopes.
Quando se cruzaram, já no final da visita à instituição, Lobo Xavier disse que "estava perto" e quis dar "um abraço e um apoio" a Marques Mendes.
António Lobo Xavier desvalorizou as sondagens que são desfavoráveis a Marques Mendes e assinalou que manifestou o seu apoio ao candidato a Presidente da República ainda antes de o CDS-PP ter decidido apoiá-lo.
"As sondagens de que falamos são um tipo especial de sondagens, não têm aquela segurança nem aquela certeza que por vezes encontramos noutras alturas, e eu não estou preocupado com isso. Acho que ele é o melhor e vou com ele até à última", indicou, mostrando-se convicto numa vitória de Marques Mendes "nesta maratona".
Luís Marques Mendes agradeceu a "boa surpresa" e mostrou-se "confiante" no resultado nestas presidenciais, sustentando que "sente a realidade" pelo país e que "as coisas serão bem diferentes" no dia 18 do que antecipam as sondagens.
