
O candidato às eleições presidenciais, António Filipe
Foto: Marcos Borga/Lusa
Não colocando em causa a "legitimidade constitucional" do Presidente da República para convocar o Conselho de Estado "quando entender" e a "pertinência dos temas", António Filipe aponta, no entanto, que a "oportunidade é discutível"
O candidato presidencial António Filipe considerou "questionável" e "discutível" a marcação de um Conselho de Estado para hoje, até por "alguma interferência na campanha eleitoral", embora reconheça a pertinência dos temas Venezuela e Ucrânia.
"Eu creio que, de facto, a oportunidade é discutível. Porque não deixa de ter alguma interferência na campanha eleitoral, na medida em que há dois candidatos que são membros do Conselho de Estado", afirmou António Filipe, que falava aos jornalistas após um encontro com trabalhadores do área da Cultura, em Lisboa.
Os candidatos presidenciais Luís Marques Mendes e André Ventura são também membros do Conselho de Estado.
Não colocando em causa a "legitimidade constitucional" do Presidente da República para convocar o Conselho de Estado "quando entender" e a "pertinência dos temas", António Filipe aponta, no entanto, que a "oportunidade é discutível".
"O Presidente da República atual não se recandidata e, portanto, ele próprio não é candidato e não intervém no debate em termos de ações presidenciais, mas a oportunidade é questionável. Ou seja, a questão que se pode colocar é se não seria possível, tendo em conta o tema, que este tema pudesse ser debatido deixando passar as eleições presidenciais", considerou.
Questionado também sobre a carta enviada pelo candidato João Cotrim de Figueiredo ao primeiro-ministro que se compromete a ser aliado do Governo se este avançar com reformas, António Filipe respondeu: "Eu não tenho dúvida nenhuma que o candidato Cotrim Figueiredo é um aliado do Governo, isso para mim não é novidade nenhuma."
E justificou que "é um aliado porque concorda com o Governo naquilo que é essencial".
"Ou seja, ele é um dos candidatos a que eu tenho chamado os candidatos do consenso neoliberal, que são aqueles que lamentam as consequências daquilo que defendem. Eles são agentes ativos das políticas que têm sido postas em prática", acrescentou.
O candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e pelo PEV considerou, no entanto, há outros adversários "que estão perfeitamente dispostos e recetivos para apoiar as políticas que o Governo tem vindo a pôr à prática".
"Que são, obviamente, o Luís Marques Mendes, o candidato João Cotrim de Figueiredo, o candidato André Ventura, o candidato Henrique Gouveia Melo, em muitos momentos, e até o próprio candidato António José Seguro, que não se demarca suficientemente opções que eu considero desastrosas que os governos têm vindo a pôr em prática" , elencou.
Sobre as dificuldades dos votos dos emigrantes defendeu que deve ser feito "um esforço para que haja o maior número possível de assembleias de voto, desde que seja possível que haja uma fiscalização plural das operações eleitorais".
António Filipe dá visibilidade aos problemas da cultura
O candidato presidencial António Filipe quis dar ainda dar visibilidade aos problemas da área da cultura afetada pela precariedade e ouviu testemunhos de quem vive com salários baixos e incertos, com instabilidade laboral e com o subfinanciamento do setor.
"E a cultura é fundamental, é um setor com imensos problemas e esta audição dá visibilidade a esses problemas", afirmou o candidato presidencial apoiado pelo PCP e pelo PEV.
No Espaço Estefânia, no centro de Lisboa, António Filipe ouviu testemunhos trabalhadores da área da cultura e um ponto comum foi a precariedade por causa de uma vida de rendimentos incertos.
Mas também se falou sobre o subfinanciamento do setor e das organizações culturais, os duros horários de trabalho e até sobre as dificuldades e desafios da maternidade.
