Cotrim vê greve geral como "sinal para tentar consensos", mas encoraja Governo a seguir "convicção"

Rui Minderico/Lusa
João Cotrim Figueiredo defende que o Executivo não deve desistir mesmo quando não consegue consensos, sublinhando que algumas medidas terão "sempre resistência". O adiamento da reforma, argumenta, trará mais custos para o país "e demora mais a resolver os problemas"
O candidato presidencial João Cotrim Figueiredo disse este sábado que vê a mobilização contra o pacote laboral como um "sinal para dialogar e tentar encontrar consensos", mas nunca como uma "resistência inultrapassável", criticando quem muda de posição por conveniência.
Em declarações aos jornalistas durante uma visita ao Wonderland, em Lisboa, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal reconheceu a mobilização contra o pacote laboral proposto pelo Governo, defendendo que "quem tem convicções e não apenas conveniências não olha para esta mobilização como sinal de resistência inultrapassável".
Para o candidato a Presidente da República, a mobilização, que se sentiu na greve geral de quinta-feira, deve ser vista como "um sinal para dialogar mais, para tentar mais consensos".
No entanto, Cotrim Figueiredo defendeu que o Governo não deve desistir mesmo quando não consegue consensos: "Se a reforma laboral for, para quem está no Governo, uma questão importante, eu encorajo as pessoas a viverem de acordo com as suas convicções e não com as suas conveniências."
Por outro lado, o candidato criticou quem se move apenas por "conveniências e acha que as resistências são motivo para voltar para trás".
Cotrim Figueiredo lembrou que algumas medidas terão "sempre resistência" e "quem não goste" delas, defendendo que adiar uma reforma trará mais custos para o país "e demora mais a resolver os problemas".
"Não sendo o maior fã deste pacote laboral é um passo no caminho certo e gostaria que houvesse consenso em relação a grande parte das medidas que lá estão. Mas, não havendo, sendo necessário para o país e tendo essa convicção, avançaria na mesma", defendeu, saudando o Governo nesta matéria por ser, "das poucas alturas, em que mostrou uma pulsão reformista".
Já na sexta-feira, o candidato presidencial tinha reconhecido a "adesão significativa" à greve geral, pedindo ao Governo que não invertesse as prioridades "só porque encontra uma resistência social".
