CGTP "disponível" para encontro entre patrões e sindicatos, mas impõe uma condição

André Kosters/Lusa
Em declarações no programa TSF Revista de Imprensa Comentada, Tiago Oliveira acusa Luís Montenegro, pelas declarações que teve, de não querer "ouvir" aquilo que os portugueses transmitiram com a greve geral. Este, diz, é um sinal "muito negativo" da parte do primeiro-ministro
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, garante estar pronto para responder positivamente ao desafio lançado pela Confederação Empresarial de Portugal (Cip) para um encontro entre patrões e sindicatos à condição: é preciso que se exija a retirada do pacote laboral.
Em declarações no programa TSF Revista de Imprensa Comentada, um dia após a greve geral, o sindicalista garante que a central tem estado "completamente disponível" para o diálogo, mas traça duas linhas fundamentais.
"A primeira questão central é a exigência da retirada do pacote laboral de cima da mesa. Segunda questão central, a CGTP como central sindical que é - e é isso que qualquer trabalhador espera do seu sindicato -, a partir daquilo que são hoje os pontos negativos da atual legislação laboral, parta para uma discussão e para uma negociação para a melhoria das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores", esclarece.
Devolve, por isso, o desafio proposto pela Cip, que instou a UGT e a CGTP a juntarem-se aos patrões para, juntos, apresentarem uma proposta de revisão laboral, pedindo que a confederação "exija do Governo a retirada do pacote laboral".
"E o Governo retirar o pacote laboral, se for para melhorar as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores, contem com a CGTP. Estamos disponíveis para dar esse passo. Agora que retirem o pacote laboral", insiste.
Depois de parte do país ter parado na quinta-feira, dia de greve geral, Tiago Oliveira sublinha que os trabalhadores se "fizeram ouvir". Defendendo que esta
"Os trabalhadores vieram para a rua e expressaram, deram um corpo, trouxeram aquilo que são os seus problemas diários para a rua, assumiram a sua condição de classe enquanto trabalhadores e optaram por lutar por uma vida melhor", afirma.
Defendendo que esta foi uma "mensagem importante para o próprio Governo", acusa ainda Luís Montenegro, pelas declarações que teve, de não querer "ouvir" aquilo que os portugueses transmitiram. Este, diz, é um sinal "muito negativo" da parte do primeiro-ministro.
"Mesmo a própria maneira como o primeiro-ministro reagiu à greve geral dá-me um sinal de um afastamento enorme do conhecimento daquilo que é a realidade dos dias de hoje", assinala.
