Rangel quer "solução política" e diz que portugueses na Venezuela são "primeira preocupação"

Créditos: António Pedro Santos/Lusa
Paulo Rangel repete que há "aspetos benígnos na intervenção" norte-americana, mas esclarece que isso "não significa o resto". E destaca que o interesse de Portugal é "defender" a comunidade portuguesa: "Se alguém discordar disto, eu fico espantado", completa
O ministro dos Negócios Estrangeiros defende que Portugal tem de "trabalhar para construir solução política na Venezuela", que seja inclusiva.
Em declarações aos jornalistas, à margem do Seminário Diplomático, em Lisboa, Paulo Rangel recusa as críticas de passividade feitas ao Governo português após a sua reação ao ataque dos EUA à Venezuela, vincando que apelou desde a primeira hora ao respeito pelo direito internacional. E ressalva que é a comunidade portuguesa na Venezuela é a "primeira preocupação" do Executivo.
"Quando existe uma intervenção que necessita de uma revisão, normalmente é para voltar à situação anterior. Neste caso, ninguém defede que Nicolás Maduro volte ao poder na Venezuela. Temos é de estar a trabalhar, especialmente tendo uma comunidade portuguesa tão grande, para uma solução, essa sim, democrática para a Venezuela", explica.
Esta transição, acrescenta, inclui o diálogo com os EUA, ainda que reconheça que os ataques norte-americanos abram discussão sobre a ausência de respeito pelo direito internacional. E defende que era Edmundo González quem deveria assumir a Presidência venezuelana.
Paulo Rangel repete ainda que há "aspetos benígnos nesta intervenção", apontando que um deles é a queda do Governo de Maduro. Mas, esclarece, "isso não significa o resto".
Questionado, então, pela TSF sobre se o melhor interesse de Portugal é aproveitar uma intervenção que violou o direito internacional, Paulo Rangel rejeita.
"O interesse de Portugal é, estando a situação como está, defender a comunidade portuguesa. Se alguém discordar disto, eu fico espantado. Quando temos meio milhão de portugueses numa situação de volatilidade como é esta, nós temos de cuidar deles. Não conheço nenhum português razoável que possa estar em desacordo com isto", reforça.
