Temporal: Marcelo diz que foram despachadas 12 mil das cem mil participações feitas às seguradoras

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa
Créditos: António Pedro Santos/Lusa
O Presidente da República voltou a defender a criação de um fundo de catástrofes para cobrir os prejuízos causados pelas calamidades, como as cheias das últimas semanas
Marcelo Rebelo de Sousa continua a mostrar-se preocupado com a demora nas peritagens para avaliar os prejuízos deixados pelas tempestades. De visita a Alcácer do Sal, uma das zonas mais afetadas pelas cheias, o Presidente da República afirmou que das cem mil participações recebidas pelas seguradoras, para que sejam cobertos os prejuízos, 12 mil já tiveram parecer positivo.
"Falei com o presidente da Associação de Seguradores, que ontem [na sexta-feira] tinha falado nos problemas dos seguros. Ele disse-me que receberam qualquer coisa como cem mil participações, das quais despacharam até agora 12 mil. Avançaram cinco mil, mas que ainda não estão fechadas", afirmou o chefe de Estado.
A falta de peritos tem criado algumas dificuldades para que os prejuízos possam ser avaliados. Marcelo Rebelo de Sousa referiu que, neste momento, estão "cobertos 80% a 85% peritos".
"Está a fazer-se tudo o que se pode fazer em termos de levantamento pelos peritos, mas ainda não há relatórios finais, em muitíssimos casos. E ontem [sexta-feira] eu tinha estado com o presidente da Câmara de Leiria, depois de Coimbra, e ele disse-me que um dos problemas que tem a própria administração pública e as autarquias e tal é encontrarem peritos", frisou.
Além disso, o Presidente da República voltou a defender a criação de um fundo de catástrofes para cobrir os prejuízos causados pelas calamidades, como as cheias das últimas semanas.
"Sendo um problema coletivo, vale a pena pensar para o futuro. Se há calamidades cada vez mais graves e frequentes, então, talvez seja boa ideia haver um fundo que preveja essas calamidades", afirmou o chefe de Estado, em Alcácer do Sal.
Acompanhado pela presidente da câmara, Clarisse Campos, o Presidente da República visitou vários negócios que ficaram 'debaixo de água', dando palavras de incentivo a proprietários, militares e voluntários que participam nas limpezas.
Sobre a criação de um fundo de calamidade, o chefe de Estado salientou que a União Europeia e vários países europeus, como França e Espanha, já têm com "muitos milhares de milhões" de euros para dar resposta "quando há uma calamidade".
Um fundo de calamidade "é constituído ao longo do tempo e existe para fazer face a situações de maior envergadura, em que tem de haver um financiamento extraordinário e muito elevado que normalmente os Orçamentos do Estado não podem cobrir", salientou.
Marcelo realçou que Portugal tem "uma ocasião que é, apesar de tudo, única, que é haver dinheiro do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]", admitindo que "uma parte desse dinheiro do PRR pode ser reorientado".
Porém, disse, "a reprogramação do PRR dá para certas obras e para certos apoios", além de que este plano "não vai haver sempre e está a acontecer uma vez", assim como o programa Portugal 2030, que também "não acontece sempre, acontece nestes tempos uma vez".
A criação de um fundo de calamidade, "porventura, nunca se pensou", pois "nunca se achou que se ia chegar a um ponto tal que as calamidades passariam a ser incumbência do Estado e muito avultadas", admitiu o chefe de Estado.
Em relação aos empresários com danos do mau tempo que têm seguro, Marcelo considerou que a situação "está a ser acelerada", mas mostrou-se preocupado com os que não têm, reconhecendo que muitos deles "não têm condições para ir à banca".
"Um problema imediato é como é que se vai dar a esses estabelecimentos condições de desafogo financeiro para voltarem a trabalhar, porque se estiverem fechados um mês, dois meses, três meses, quatro meses, é muito difícil a recuperação", alertou.
Questionado sobre se concorda com a atribuição de apoios a fundo perdido, o Presidente da República respondeu que é preciso "saber até onde pode ir um apoio desses", aludindo ao valor global dos prejuízos.
"Estamos perante quantas situações? E em quantos municípios? Quanto custo? Percebemos que há um grande apelo para que haja abertura a uma situação dessas", acrescentou.
Sobre se Portugal deveria ter pedido ajuda através do Fundo de Solidariedade da União Europeia, o chefe de Estado referiu que Bruxelas tem um fundo "com regras muito específicas e abarca todos os países".
"Temos que pensar bem se não vale a pena, agora que é um tempo em que há um certo desafogo com o PRR, começarmos a pensar num fundo de calamidade", insistiu.
