Agricultores no Alentejo pedem mais fiscalização para detetar casos de exploração de imigrantes

Foto: DR (arquivo)
Em declarações à TSF, o presidente da Associação de Agricultores do Sul afirma que é habitual recorrerem a estas empresas e explica que é difícil saber se os imigrantes são realmente pagos
O presidente da Associação de Agricultores do Sul pede mais fiscalização para que não aconteçam casos de escravatura que envolvam imigrantes.
Na terça-feira, foram detidas 17 pessoas, entre elas dez militares da GNR e um agente da PSP, por participarem numa rede de tráfico humano. Os suspeitos obrigavam os imigrantes a trabalhar com baixos salários e sem contrato. O esquema passava por uma empresa de trabalho temporário que contratava estes trabalhadores.
Ouvido pela TSF, Rui Garrido conta que é habitual os agricultores recorrerem a estas empresas e afirma que é difícil saber se os imigrantes são realmente pagos. "O mais comum no Alentejo é o agricultor contratar uma empresa de prestação de serviços, que tem os seus funcionários. São quase todos de origem asiática, mas ainda há muitas empresas com mão de obra que vem do leste da Europa e quando o agricultor contrata nós não sabemos de onde vêm, quem são ou em que condições vivem. O agricultor paga um ordenado ao dono dessa empresa. Quanto é que eles recebem do dono da empresa? Nunca sabemos", explica à TSF Rui Garrido.
Por isso, garante que a associação está atenta às condições destes imigrantes, mas é necessária mais fiscalização. "Têm acontecido alguns casos e têm de ser combatidos. Tem de haver controlo e fiscalização", diz, sublinhando que a zona do Alentejo "precisa muito desta imigração".
"Não se apanhava nem um bocado da azeitona ou da amêndoa se não fosse esta mão de obra. Precisamos dela [da mão de obra], tem de haver fiscalização e controlo", acrescenta.