
Maria Augusta Casaca/TSF
A iniciativa, que partiu do agrupamento de escolas João de Deus, uniu várias escolas do concelho
Vestidos de negro, empunhando cartazes e gritando palavras de ordem, centenas de alunos de vários agrupamentos de Faro (João de Deus, Tomás Cabreira, Montenegro e Afonso III) desfilaram pela cidade. Rapazes e raparigas unidos na mesma luta: o fim da violência contra as mulheres. Laura, 16 anos, é uma das alunas que, antes do desfile, participou numa pequena performance realizada junto à Escola Secundária João de Deus. "Não é só a violência doméstica, é também o cyberbullying (...) e afeta as pessoas de forma igual", diz em declarações à TSF. Na sua geração, a violência contra as raparigas exercida nas redes sociais é o que mais a preocupa.
A coordenadora deste projeto considera que "as raparigas sentem muito mais o impacto das tecnologias, naquilo que se passa na manipulação de imagens". Ana Lucia Correia entende que, "a partir do momento em que a escola dá este espaço para reflexão", os estudantes percebem o problema.
Tomás, de 16 anos, era um dos alunos que tocava bombo no desfile e adianta que "é importante dar voz a esta causa e às mulheres que são vitimas".

Nas mãos, Beatriz, estudante da escola Secundária Tomás Cabreira, trazia um cartaz concebido por toda a turma com a frase "O Corpo é meu, quem decide sou eu". Nos seus 16 anos percebe que o cyberbullying é talvez o maior problema na sua geração. "Por norma começa por uma agressão mais verbal, (...) ou por julgamentos por apenas existirmos", lamenta. "Infelizmente, às vezes parte para a agressão física e ainda é recorrente nos dias de hoje", acrescenta.
Este projeto, com o lema "E em vez do Medo...", foi trabalhado nas aulas de cidadania. A professora Ana Lucia Correia sublinha que um dos objetivos foi também consciencializar os rapazes, mostrando-lhes que "as raparigas fazem parte de um grupo que muitas vezes é vítima e visto como inferior", levando-os a mudar mentalidades.
Miguel, 15 anos, quer acreditar que na sua escola não há violência contra as raparigas. No entanto, também desfilou empunhando um cartaz com a frase "A violência nunca é uma opção". Pertence a uma geração que poderá fazer a diferença no futuro e espera que "tudo possa ser resolvido verbalmente e não com insultos".
Estudantes e professores desfilaram até ao Mercado Municipal de Faro, onde colocaram em exposição os cartazes que conceberam para esta iniciativa. Mais tarde, esses cartazes vão ficar expostos no Instituto Português da Juventude e Desporto (IPDJ) de Faro.