Cookie Fischer é "testemunha viva" do Holocausto e alerta: "Pode voltar a acontecer, fazer bem é uma decisão"

Créditos: TSF
No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, uma sobrevivente do regime nazi dedica-se a divulgar a História e a memória do cônsul português, Aristides Sousa Mendes
Se hoje está viva, Cookie Fischer deve-o a Aristides Sousa Mendes. Foi um visto do cônsul português que salvou a mãe do regime nazi, durante a II Guerra Mundial. "Hoje é um dia de lembrança que estamos vivos", realça à TSF, a partir de Valongo, onde, esta terça-feira, profere uma palestra num agrupamento de escolas.
Há quatro anos e meio em Portugal, Cookie nasceu nos EUA e trabalha para a Fundação Aristides Sousa Mendes, uma instituição norte-americana que reúne sobreviventes do Holocausto graças aos vistos do cônsul português. A divulgação "é muito importante, porque muitas crianças e jovens não têm ideia da História", refere. "O meu trabalho agora é honrar a memória de Aristides e da minha mãe. Porque eu estou aqui por Aristides, eu moro em Portugal por ele", diz.
Em cada palestra, Cookie tenta passar a mensagem de que "cada pessoa pode ter um efeito de uma maneira pessoal". "Temos sempre de escolher e valorizar a coragem e a possibilidade de fazer o bem. Agora, fazer bem é uma decisão."
Ainda mais num mundo cada vez mais polarizado e radical, como Cookie vê o país onde nasceu. "Não posso entender o que está a acontecer nos Estados Unidos (...) Temos de ter consciência que as coisas podem voltar a acontecer."
Para quem não acredita na história de Aristides, Cookie sublinha: "eu sou testemunha viva de que a história é real e que o côsnul Aristides teve um acto de consciência" que poucos tiveram.
A historiadora Margarida Ramalho, responsável científica do museu dedicado aos refugiados em Vilar Formoso, distingue a "loucura" do Holocausto com o que se passa na actualidade, mas afirma que "o ser humano tem um lado muito negro" e, numa altura em que "estamos a assistir a uma polarização tremenda das sociedades", com o regresso "muito assustador" da intolerância, lembrar é "uma questão de humanidade", para nos fazer reflectir sobre "como nos devemos comportar, enquanto seres humanos".
Para assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, o Museu Aristides Sousa Mendes vai mostrar, esta terça-feira, pela primeira vez, em Cabanas do Viriato, o processo disciplinar movido por Oliveira Salazar ao antigo cônsul português.
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