"Dias difíceis e complexos para gerir." Barragens cheias descarregam e já provocam inundações

Barragem do Alqueva
Créditos: Flickr
Amarante, Águeda, Coimbra, Alcácer do Sal e Silves são cidades de sobreaviso
"Neste momento temos os solos completamente saturados, as barragens começam a ficar cheias, quer da parte portuguesa, quer da espanhola e, obviamente, a situação de gestão fica cada vez mais difícil", admite, em declarações à TSF, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente. José Pimenta Machado considera que há situações mais preocupantes, como em Amarante.
"Temos ali uma margem de 40, 50 centímetros para o rio saltar fora e inundar aquelas habitações em Amarante", conta. O caudal do rio Mondego também está a ser monitorizado. "Está muita água a circular no Mondego, mas, felizmente, temos encaixe na Barragem da Aguieira, podemos guardar a água e tentar controlar o caudal, mas, sim, é uma bacia que nos preocupa".
A cidade de Águeda também pode ser mais afetada, "porque quando o Vouga tem um caudal muito elevado, o rio Águeda não consegue entrar, inunda em Águeda". "A situação está controlada, mas temos de continuar a monitorizar e avaliar", refere.
Mais a Norte, quer no Cávado, quer no Lima, no Minho, "há sempre muita água", mas Pimenta Machado considera que tem havido "boa gestão entre a parte portuguesa e espanhola" e, neste momento, não há grande preocupação.
As barragens a montante do rio Sado (Pego do Altar e Vale do Gaio) estão também cheias e a descarregar, o que fez o rio inundar Alcácer do Sal. Embora o caudal estivesse a reduzir quando o presidente da APA falou com a TSF, é esperada mais chuva à tarde.
Mais a sul, o Alqueva começou esta quarta-feira a abrir as comportas de fundo e Mértola, Vila Real de Santo António e toda a zona raiana espanhola estão de sobreaviso com o aumento do caudal do rio Guadiana.
"O Algarve tem essa situação histórica e excecional das seis albufeiras estarem todas a fazer descargas preventivas por razões de segurança", salienta. "Neste momento estamos a gerir esta água a mais, nunca imaginei isso, passado dez anos [de seca] temos as albufeiras do Algarve todas cheias." No entanto, com as barragens do Arade e Funcho a deitarem fora a água armazenada, o rio Arade já saltou as margens e inundou a baixa da cidade de Silves.
A APA admite que os próximos dias serão "difíceis e as previsões apontam para o prolongamento do temporal até dia 8 de fevereiro. "Temos mais chuva hoje [quinta-feira] à tarde, sexta novamente chuva, embora não com a mesma intensidade dos dias anteriores, mas é mais chuva sobre chuva", adianta o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente. "Temos aqui uns dias pela frente muito difíceis e complexos para gerir", acredita.