"Muitas vítimas de trauma", "grande angústia" e serviços a meio gás: o cenário "desolador" no hospital de Leiria

Créditos: Mário Vasa (arquivo)
Falhas nas comunicações móveis e na rede elétrica são as principais consequências da tempestade Kristin que dificultam o apoio aos utentes
Leiria ainda não recuperou da destruição causada pela depressão Kristin e a Unidade Local de Saúde (ULS) da região não é exceção. O hospital de Leiria está agora a priorizar as altas hospitalares e o reforço das urgências, além de a atividade não urgente continuar cancelada.
Em declarações à TSF, Diogo Conceição, médico prestador de serviços na ULS de Leiria, descreveu um "cenário muito desolador". As informações chegam do exterior por parte de colegas em mudança de turno e "são sempre dramáticas", contou, sublinhando que à porta das urgências chegam "muitas vítimas de trauma, gente que tenta remediar os estragos nas suas casas".
Os cuidados hospitalares estão atualmente a funcionar com a ajuda de geradores, cuja "energia está a ser canalizada para os serviços críticos". Segundo Diogo Conceição, as dificuldades sentidas pelos profissionais de saúde na ULS são muitas, nomeadamente em "aceder a algumas plataformas do Serviço Nacional de Saúde", contactar "os familiares dos doentes para explicar algumas situações mais graves" e a "comunicação com outros hospitais que fornecem apoio".
"É com grande angústia que vamos fazendo as coisas acontecer", admitiu.
Diogo Conceição apontou ainda outra "série de improvisos" a que os médicos estão sujeitos, como a "falta de acesso ao refeitório" e a dificuldade em "mobilizar doentes entre pisos", porque os elevadores não funcionam na sua plenitude.
Depois de 24 horas do período mais crítico da tempestade, o hospital continua "sem forma de comunicar e sem saber extamente o que se passa na cidade". O médico acredita que, por esta razão, "a ideia [do que se vive no hospital] não está a passar para o país". No entanto, os profissionais do Hospital de Leiria encontram-se "numa pequena bolha" conseguindo contactar entre si através de uma rede de internet interna.
Mesmo fazendo os possíveis para responder a todos os pedidos de ajuda, os profissionais da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria continuam "numa situação de grande incerteza". Não é possível prever quando a eletricidade e as comunicações vão ser repostas.