Idade dos dadores de sangue alargada até aos 70 anos: medida permite "fidelizar" e combater quebras

Créditos: LuAnn Hunt/Unsplash
À TSF, o presidente da Fepobades, Alberto Mota, assinala que, para Portugal garantir a sua "autossuficiência de sangue", é preciso também criar boas condições para receber os dadores, nomeadamente através de "bons espaços, mais profissionais, bom acolhimento e rapidez no atendimento"
A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (Fepobades) saudou esta terça-feira o alargamento da idade dos dadores de sangue até aos 70 anos, após reunião com a tutela, considerando que pode abrandar a quebra registada nos últimos anos.
Os dadores agora podem dar sangue até aos 70 anos, revelou o presidente da Fepobades, Alberto Mota, depois de ter estado reunido com a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, acrescentando que os mais jovens passarão a ter acesso a um questionário online para acelerar o processo de colheita.
Em declarações à TSF, o responsável sublinhou que a medida é especialmente relevante face a uma redução do número de dadores e dávidas de sangue ao longo dos últimos três anos e vai permitir "fidelizar" estas pessoas pelo menos durante mais cinco anos.
"O objetivo é tentarmos fidelizar esses dadores que já temos e que, aos 65 anos, deixavam de ter condições para dar sangue. E assim, já podemos tê-los mais cinco anos a fazer a sua idade de sangue. E isso é fundamental", explicou.
Mas, para garantir a "autossuficiência de sangue" em Portugal, é preciso também criar "condições para receber todos os dias as cerca de 1600/1700 pessoas para virem fazer a sua dádiva sangue". Isto só é possível se existirem "bons espaços, mais profissionais, bom acolhimento e rapidez no atendimento".
Os dadores vão começar também a receber SMS e e-mails com os resultados das análises.
Em Portugal, a idade para dar sangue estava situada entre os 18 e os 65 anos, mas a partir do início do ano já é permitida até aos 70.
A federação voltou a alertar para a falta de profissionais nos Centros de Sangue e da Transplantação (CST) do IPST do Porto, Coimbra e Lisboa. Esta situação tem levado a "muitos cancelamentos", uma realidade que se vai "repetir este ano" caso a contratação não aumente.
Alberto Motra revelou, contudo, que a secretária de Estado da Saúde já adiantou que estão "muitas vagas a concurso" para culmatar esta carência. "O Governo autorizou a abertura de muitos concursos para fazer a entrada desses profissionais. Agora, vamos ver se as pessoas concorrem e se ficam no IPSD", concluiu.
O presidente da Fepobades alertou ainda Ana Povo para "urgência de regulamentação" do Estatuto do Dador que não é atualizado desde 2013.
"Há muitos assuntos que não são cumpridos pelas administrações hospitalares", realçou à Lusa, defendendo que as regras devem ser publicadas para garantir que "tudo o que está no estatuto seja cumprido".
Alberto Mota recordou ainda que a federação tem alertado para normas que, apesar de estarem em vigor, não eram aplicadas.
"Desde 2015, é permitido que jovens de 17 anos acompanhados pelo tutor possam dar sangue, e só há meia dúzia de meses é que esta regra começou a ser cumprida", lembrou, reforçando que a Fepobades estará vigilante para assegurar que a nova regra dos 70 anos "é mesmo para cumprir".
O presidente da Fepobades disse ainda que a secretária de Estado da Saúde manifestou-se disponível para manter o diálogo e trabalhar para garantir reservas de sangue estáveis em todo o país.
Ainda assim, a federação insistiu na necessidade de horários mais alargados nos hospitais, frequentemente condicionados pela escassez de profissionais.
Apesar de o inverno e as gripes tornarem o mês de janeiro menos favorável às colheitas, Alberto Mota acredita que não haverá quebras significativas.
"Vamos trabalhar para manter a reserva estável nas várias regiões do país", concluiu.
