
Marcelo Rebelo de Sousa discursa no Parlamento Europeu
Frederick Florin/AFP
Marcelo Rebelo de Sousa analisou os grandes desafios da União Europeia numa intervenção no Parlamento Europeu.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursou esta quarta-feira sobre os desafios da União Europeia numa sessão solene no Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, depois de esta manhã se ter reunido com Roberta Metsola.
Marcelo Rebelo de Sousa começa por expressar "gratidão, abertura e solidariedade a uma união de Estados e de povos que nos faz mais livres, mais justos, mais democratas, mais realizados", assegurando que Portugal estará "sempre na primeira linha de defesa da Europa e da União Europeia".
O Presidente da República recorda que passam sete anos desde o seu último discurso no Parlamento Europeu e muito mudou desde então. Depois da pandemia, a União Europeia foi obrigada a responder a uma guerra "ilegal, injusta e imoral, erro chocante da federação russa", a que se seguiu a escalada da inflação.
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Quais são as questões essenciais que teremos de enfrentar nestes próximos "anos decisivos"?, questiona. "Garantir que da guerra que tem martirizado o povo ucraniano, e atingido muitos mais povos por todo o mundo, e em particular na Europa possa sair uma paz legal, justa e moral", respeitando os direitos humanos, prevenindo novas guerras e "dando novo futuro a quem vive na incerteza económica e social", começa por enumerar Marcelo Rebelo de Sousa, sendo esta a "questão mais urgente".
Como pode enfrentar a UE esta crise? Com "um papel forte, o mais forte possível - só possível em unidade". Quanto ao alargamento, "sim", desde que "dentro do melhor possível", isto é, com preparação económica e social, sob risco de "uma desilusão dramática para todos".
Também "a recuperação económica europeia tem de se acelerada", defende o chefe de Estado português, apelando que não se adie "a clareza na definição de linhas mestras" de governação económica e financeira a médio e longo prazo, orientadoras da política europeia.
Marcelo Rebelo de Sousa defende ainda que não se pode "esquecer" nem "congelar por motivos fúteis" acordos com países de outros continentes, até porque para muitos é difícil compreender que a guerra na Ucrânia é uma questão global. "A UE quer ficar distante, ficar fechada sobre si mesma por causa de políticas recentes, como a pandemia e a guerra, ou quer ser ativa, antecipatória e aberta?, questiona, reforçando: "Os egoísmos nacionais têm de ceder perante os valores da União Europeia."
Ser pioneira no clima, ciência, tecnologia digital, e tecnologia (para não "ficar para trás enquanto potencia global"), promover a "mudança geracional" e "apostar na juventude" são outros deveres da UE destacados pelo Presidente.
O Parlamento Europeu "não pode ficar apenas pelas ideias abstratas, um ou outro grupo de trabalho, deleitando-se com debates de pormenores institucionais que não dizem nada ao dia-a-dia dos europeus", reforça.
Se os jovens europeus se sentirem afastados das instituições europeias e isso levar ao crescimento de "populismos e movimentos antissistémicos" isso "será por nossa culpa", considera.
"Eu, Portugal e os portugueses queremos uma Europa mais forte, que lidere e antecipe, e não que vá a reboque dos acontecimentos", destaca. Uma Europa de europeus, não apenas "chefes de Estado, chefes de Governo, líderes partidários, líderes políticos e sociais."
Depois desta intervenção, o chefe de Estado seguirá para a sede do Conselho da Europa, onde se reunirá com a secretária-geral daquela instituição, Marija Pejcinovic Buric, almoçando com funcionários portugueses do Parlamento Europeu.