"Tentamos não desistir." Rádio local afetada pela tempestade lamenta falta de apoios do Governo

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Apesar da resiliência da rádio, capaz de prevalecer nas circunstâncias mais adversas, muitas rádios locais foram afetadas pelas depressões Kristin, Leonardo e Marta. Paula Melo, da rádio ABC Portugal, fala num prejuízo de mais de 50 mil euros
À semelhança do que aconteceu durante o apagão, em abril de 2025, a rádio volta a ser o único meio para as populações que vivem nas localidades afetadas pelas tempestades das últimas semanas. A própria Proteção Civil recomenda que haja um rádio a pilhas no kit de emergência a ser usado em situações de calamidade. Contudo, o temporal que se tem feito sentir no país afetou várias rádios locais, como a ABC Portugal, em Ourém.
A noite de 27 para 28 de janeiro ficou na memória da diretora da rádio. A antena caiu com a força da tempestade Kristin e a rádio ficou sem emissão. Passados alguns dias, a emissão voltou online e mais tarde em FM.
Paula Melo recorda à TSF que muitos ouvintes sentiram a falta da emissão. "Quando saímos à rua, porque é um rádio de proximidade, as pessoas diziam: 'Nós tentamos sintonizar e não conseguimos.'" A diretora sublinha que a importância que a rádio local tinha, principalmente nestes dias. "As pessoas queriam saber exatamente como estava em certas cidades, em certos locais, onde não conseguiam chegar. [Como] as comunicações no estúdio não foram comprometidas, tínhamos muitos telefonemas, inclusivamente do estrangeiro, para tentar saber informação de familiares", diz.
O prejuízo da tempestade Kristin para a ABC Portugal ultrapassa os 50 mil euros, mas Paula Melo afirma que as rádios locais estão numa luta constante pela sobrevivência e lamenta que sejam esquecidas pelo Governo.
"As dificuldades que as estações de rádio locais já sentem há algum tempo, porque os sucessivos governos não olham para as estações de rádio locais, não fazem uma distribuição justa da publicidade institucional, inclusivamente os tempos de antena, faz com que, por vezes, entrem em desespero. E, depois, em situações como a da ABC Portugal, que vê uma torre e todo o sistema de rádio no chão, o que pensam é: 'Desta vou desistir', mas tentamos que não."
Tal como o presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão, Paula Melo defende que todas as rádios deviam ter geradores para garantir que funcionam durante as tempestades.
