DGS ditou a "morte para a Cultura" porque "o público não vai pagar um teste para ver um espetáculo"

A Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos vê com incredulidade e incompreensão a norma que obriga à realização de testes o público de um espetáculo com 500 pessoas em espaço fechado, ou mil ao ar livre.

É a sentença de morte do setor da Cultura. É desta forma que o empresário Álvaro Covões critica a norma da Direção-Geral da Saúde, que exige testes ao público de eventos culturais com mais de 500 espetadores, em recinto fechado, ou mil pessoas, ao ar livre.

A norma foi publicada ao final da noite, e recebe avaliação negativa de Álvaro Covões, da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos. "Não é uma medida que consigamos entender", admite.

"Incompreensivelmente, por exemplo, a nossa associação de promotores reuniu com a ministra da Cultura, 24 horas antes desta tomada de decisão, e nada nos foi dito. Não nos foi justificada esta medida." Álvaro Covões não compreende esta tomada de posição das autoridades de saúde, numa altura em que há "um desconfinamento em todos os setores".

A norma anunciada pela DGS prevê que bastam mais de 10 pessoas num casamento, batizado ou aniversário para que todos devam ser sujeitos a testes. Para os eventos culturais e desportivos bastam mais de mil espetadores em ambiente aberto ou mais de 500 em ambiente fechado. Álvaro Covões vê a medida como incompreensível. "Como se um casamento fosse exatamente o mesmo que um espetáculo", comenta.

"Vai resultar no fim do trabalho, porque nós achamos que 90% do público não vai querer pagar do seu bolso um teste fazendo um teste para ir ver um espetáculo", vaticina o empresário, que acrescenta: "Retiraram-nos o direito ao trabalho. Acho que isto foi uma sentença de morte para o setor da Cultura."

Álvaro Covões lembra que o setor da Cultura seguiu sempre as regras de combate à Covid-19. "O setor da cultura foi sempre apontado, tanto pelo Governo como pelas autoridades de saúde, como um bom aluno, que sempre cumpriu as regras, e, por isso, era sempre apontado como um exemplo. Passámos de bons alunos a bestas, e não percebemos por quê."

"Basta olhar para a norma, e ninguém encontra uma justificação para o perigo dos espetáculos", considera ainda, e questiona: "Está disposta a pagar um teste do seu bolso, a fazer um teste antes de ir ver um espetáculo? Se calhar nem vai ter tempo de o fazer." Álvaro Covões garante que esta medida deixará os espetáculos sem público.

LEIA TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de