"A minha mãe era rica." Sócrates diz que foi buscar provas à Torre do Tombo

Ex-primeiro-ministro revelou que o avô surge num almanaque de 1943 como "concessionário da Serra dos Trigais" e é um dos três familiares que deixou uma herança à mãe.

O antigo chefe de Governo José Sócrates garantiu, esta quarta-feira, que a mãe era "uma mulher rica", que "teve sempre um cofre em casa" e que a sua família sempre teve posses. Em entrevista à TVI, o ex-governante explicou que a mãe teve "três heranças nos anos 80" (de uma tia-avó, do avô e de um tio) e revelou que teve de ir buscar documentos para o comprovar.

"Fui buscar as partilhas da herança da minha mãe à Torre do Tombo para provar que a minha família tinha recursos, que a minha mãe era rica", explicou.

Os documentos foram depois apresentados ao juiz como prova de que a família "tinha recursos". Segundo os cálculos dos próprios, a herança chegaria a "cerca de um milhão de contos".

"A minha mãe teve sempre um cofre em casa, toda a vida", garantiu também. A herança do avô foi deixada "em títulos do tesouro" à mãe, que depois levantava o dinheiro e guardava-o no cofre. Era daí que sairia o dinheiro vivo com que Sócrates viajava para o estrangeiro, nomeadamente para férias.

O antigo governante revelou também sentir-se ofendido por afirmações de gente próxima "que acha que andei a inventar que a minha família tem posses que nunca teve".

O ex-primeiro-ministro refere ainda que o seu avô, Júlio Monteiro, que diz ter feito fortuna na indústria do volfrâmio, surge num "almanaque de 1943" como "concessionário da Serra dos Trigais" e disponibilizou-se para entregar um exemplar a José Alberto Carvalho, que conduziu a entrevista.

"A devassa da minha vida privada obrigou-me a fazer isto, a ter de provar algo de que nunca pensei que as pessoas duvidassem", lamentou. "É muito humilhante ter de falar nisto."

A investigação do processo Operação Marquês começou em 2013, o antigo primeiro-ministro José Sócrates foi detido em novembro de 2014, chegou a estar em prisão preventiva, e três anos depois (2017) foi deduzida a acusação.

O Ministério Público acusou 28 arguidos de um total de 188 crimes económico-financeiros, dos quais 31 imputados a José Sócrates.

A fase de instrução do processo durou mais de dois anos - de 28 de janeiro de 2019 até 02 de julho 2020, quando terminou o debate instrutório, tendo a decisão instrutória sido conhecida no passado dia 09 de abril.

Ivo Rosa determinou que Sócrates seria julgado por três crimes de branqueamento de capitais e três de falsificação de documentos, juntamente com o seu amigo e empresário Carlos Santos Silva a quem o juiz deu como provado que corrompeu o antigo chefe de Governo, configurando um crime [corrupção ativa sem demonstração de ato concreto] que considerou prescrito.

Dos 28 arguidos do processo, foram pronunciados apenas cinco: o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, por três crimes de abuso de confiança o antigo ministro Armando Vara por lavagem de dinheiro e o ex-motorista de Sócrates João Perna por posse ilegal de arma.

Ficaram ilibados na fase de instrução, entre outros, os ex-líderes da PT Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, o empresário Helder Bataglia e o ex-administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca.

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