Plano a 12 anos: Montenegro quer ganhar partido, autárquicas e país

Arranque de campanha interna, mas a falar para todos os portugueses. Luís Montenegro assume que quer devolver o "D" ao partido com recados para António Costa e Rui Rio, deixando a promessa: "Quero ganhar as próximas eleições".

Mensagens ao cuidado de Rui Rio e António Costa, Luís Montenegro chegou com avisos para todos: depois das internas, quer ganhar as autárquicas, promete chumbar os orçamentos socialistas e, para os portugueses, acena com a redução dos impostos. Já lá vamos...

Largas dezenas de militantes responderam à chamada de Luís Montenegro. Entre eles, Rui Machete, Maria Luís Albuquerque, Hugo Soares, Teresa Morais e Paula Teixeira da Cruz.

Todos eles marcaram presença numa sala pequena para tanta gente. Tapete laranja estendido para o candidato, luzes amarelas a transformar a sala toda ela num espaço laranja e, nas paredes, painéis com imagens dos presidentes do PSD que chegaram a primeiro-ministro.

Quase uma hora depois do combinado, acende-se um painel eletrónico com as letras PS. Não, não foi engano. A estratégia é a de que Luís Montenegro vem devolver o "D" ao partido e essa foi uma das tónicas do discurso de 40 minutos porque "o país já tem PS a mais e o Estado já tem PS a mais".

"O país empobrece por ter PS a mais e PSD a menos. Este D grande que queremos devolver ao PSD é um D de democracia, diferença, dignidade, determinação, desenvolvimento, dinamismo, disrupção", sublinha Montenegro arrancando aplausos e vários "muito bem" da assistência.

E como Montenegro diz que não está aqui "para que o país se vire para o PSD apenas quando as dificuldades apertarem e for preciso arrumar a casa", estabelece desde logo uma primeira medida se conseguir chegar a líder da oposição: redução dos impostos sobre o trabalho e simplificação do regime do IVA.

Aos portugueses, Luís Montenegro acena com a "redução gradual e faseada ao nível do IRS e IRC e proposta de fusão da taxa intermédia e máxima do IVA, que não seja superior a 20%".

Para quem tem dúvidas ao nível ideológico, Montenegro esclarece também que o PSD - este PSD a que se propõe liderar - não é neoliberal. "Não somos neoliberais, a social-democracia do PSD não é estatizante, mas não exime o estado das funções sociais nem regulatórias", explica o candidato a presidente sublinhando que "é o Estado que regula e colmata as falhas do mercado livre e aberto" e é também o Estado que "comanda o combate às desigualdades".

Diferenças bem estabelecidas

Para os que ainda tinham dúvidas, Montenegro apresenta-se pronto a vincar as diferenças em relação a Rui Rio e ao rumo da atual direção social-democrata.

Se o presidente do PSD ambiciona vencer câmaras mas não promete vencer autárquicas , Montenegro fá-lo; se a direção de Rui Rio é mais cautelosa ao falar do chumbo do Orçamento do Estado socialista, o candidato Montenegro deixa-o claro: não passará. E acordos com o PS? Para Montenegro, nem vê-los.

E a intenção é ficar 12 anos. "Estou aqui determinado em dar mais 12 anos da minha vida e de dedicação a Portugal, estou aqui para assumir responsabilidade para assumir a oposição nos próximos 4 anos, e liderar o governo de Portugal nos próximos 8", sublinha Montenegro.

Para isso, há que ganhar o partido e torná-lo "abrangente". É aqui que entra o rol de farpas a Rui Rio. "Não chega ganhar às sondagens e às expectativas, não chega proclamar vitórias morais para disfarçar derrotas abissais", nota o antigo líder parlamentar do PSD falando de Rui Rio sem nunca o mencionar.

"Alguns gostam de um partido pequeno, sem alma e sem ambição, feito de gente acomodada, servil do chefe e condenado a perder", atira.

"Comigo na liderança, nunca será preciso vir um líder histórico como Cavaco Silva exprimir a sua preocupação com a falta de unidade no PSD e com os afastamentos de pessoas de qualidade que são necessárias à nossa vida coletiva e ao futuro do nosso partido", sublinha Montenegro acusando Rio de ter uma "visão cultural profundamente perigosa porque dimana do mais obsoleto maniqueísmo".

E se Rio no Conselho Nacional estabeleceu a meta de "inverter a tendência" nas autarquias, Montenegro diz mesmo que quer "um partido a ganhar as próximas eleições autárquicas".

Assumindo Lisboa como objetivo número 1, o candidato promete que com ele na liderança será ele próprio coordenador do processo autárquico de 2021.

E Costa? "Fraco líder faz fraca a sua forte gente"

Mas candidato a primeiro-ministro que se preze - que é como Montenegro se assume - não pode só atacar para dentro. Também o faz para fora com António Costa como principal alvo.

Depois de falar de tempos complexos no mundo e na Europa, Luís Montenegro centra-se em Portugal para dizer que "o país é cada vez mais pequeno" e que lhe "falta ambição, energia, capacidade de arriscar, inovar, empreender".

Por isso, alerta: "este país é hoje a imagem de António Costa, o país do poucochinho". "É verdade o que diz o poeta, um forte líder faz fraca a sua forte gente", nota Montenegro que não esquece o facto de este governo ser o maior de sempre, com "promessas e banalidades a mais", e que "as pessoas vivem cercadas por impostos e contribuições ao mesmo tempo que o Estado é cada vez mais uma coutada socialista".

"O governo passou o tempo todo a viver da ajuda alheia, seja essa ajuda da conjuntura que o circunda, quer pela herança do governo de Passos Coelho", afirma Montenegro que arrancou ainda mais aplausos ao dizer que com ele não haverá acordos com o PS nem aprovação de orçamentos do Estado.

No que diz respeito aos acordos, Luís Montenegro defende que eles "só servem para simular a moderação e o recentramento do PS". Já sobre o orçamento, está em causa a "geringonça". "Como se percebeu muito bem na discussão do Programa de Governo, o Partido Socialista continua ligado ao PCP e ao Bloco de Esquerda", realça.

"O PS não é um partido fiável nem reformista", acusa ainda Montenegro, para quem a missão do PSD é não só denunciar "os erros do governo do PS", como também "não ser conivente com a sua ação".

Se este vincar de diferenças é suficiente (pelo menos para o PSD), não tardará a saber. As eleições diretas são a 11 de janeiro e, nesse dia, o partido dirá se a estratégia de Montenegro funciona ou se Pinto Luz ou Rui Rio têm maiores hipóteses de comandar a oposição.

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