Salvação do centro-direita? Relvas aponta Passos e Portas se nova geração falhar

Miguel Relvas não poupa nas críticas a Rui Rio - "um líder que não gosta do partido" - a quem cobra o resultado nas legislativas. Para salvar o centro-direita em Portugal, o ex-governante aponta dois nomes, Passos Coelho e Paulo Portas, mas apenas em caso de emergência.

Teremos sempre Passos Coelho e Paulo Portas. Se no filme Casablanca, Paris é a esperança para a memória do amor entre Rick e Ilsa, na cena política portuguesa, Passos Coelho e Portas são o último reduto para a crise do centro-direita. É Miguel Relvas, "senador sem mandato" do PSD, quem o defende em entrevista à TDM.

Depois de já ter saído contra Rui Rio no rescaldo das eleições na TSF , Relvas não poupa nas críticas ao atual momento e líder do PSD. Começando por falar, "indiscutivelmente", num dos "piores resultados da história do partido", o antigo ministro dos assuntos parlamentares aponta à "estratégia que veio sendo seguida ao longo do último ano e meio".

"O PSD esqueceu-se de que o atual primeiro-ministro era primeiro-ministro sem ter ganho eleições e entregou-lhe o centro", sublinha Relvas para quem um líder (no caso, Rui Rio) "não pode ser um foco de permanente conflito".

"Se Rui Rio achar que tem condições para voltar a ser líder do PSD, deve candidatar-se. Eu tenho dúvidas, isso tenho. Se não teve ideias e força para mobilizar os portugueses nesta eleição vai ter 4 anos depois?", questiona o antigo dirigente social-democrata ainda em modo suave.

Defendendo um "virar de página", Relvas vinca a posição que o antigo líder parlamentar Hugo Soares teve no último Conselho Nacional do partido para dizer que Rio "não gosta do PSD".

"É líder de um partido de que ele não gosta e criou uma conflitualidade interna", nota Miguel Relvas salientando os nomes que ficaram de fora das listas de candidatos a deputados à Assembleia da República como o de Hugo Soares mas, principalmente, o de Maria Luís Albuquerque. "Afastar sem razão aparente quando eles tinham sido indicados pelas estruturas locais, todo o esforço inútil que só pode levar à melancolia política em que eles hoje vivem", acusa.

Virando-se para o futuro, o ex-governante tem a certeza de que os militantes não vão "voltar a eleger um líder que não gosta do partido, de um líder que procura a conflitualidade e que procura a exclusão". Fica ainda o apelo: "Venha alguém que tenha um projeto para o país".

E para um PSD forte se apresentar em cena, é preciso "arrumar a casa" e "liderar o bloco de centro-direita". Para isso, o antigo governante defende que o partido deve ter "um projeto muito claro" e "ser oposição", começando com um chumbo ao programa de governo de António Costa.

Destacando a fragilidade da futura bancada parlamentar do PSD pela inexperiência política, Relvas sublinha ainda o erro do PSD em não ter sabido ser uma força agregadora com os consequentes riscos para o futuro. "Começo a acreditar que poderemos vir a estar num processo federativo entre o PSD e o CDS se não formos capazes de, no curto prazo, afirmar os dois partidos. Sob pena de vermos crescer o Chega e o Iniciativa Liberal, o reforço da Aliança, estas forças nasceram agora porque não fomos capazes de agregar".

Contra o PS, agregar, agregar

E "agregação" parece ser a palavra-chave para o futuro do PSD, independentemente de quem seja o futuro líder.

A começar, Rui Rio é carta fora do baralho para Relvas que considera que "mal seria se o PSD desse a vitória a quem teve 27,9%". O jogo fica reduzido, então, ao já anunciado Luís Montenegro e ao putativo Miguel Pinto Luz, dois bons nomes para o antigo secretário-geral do PSD.

"Gosto muito da visão que Miguel Pinto Luz tem da vida, da sociedade, o trabalho que tem sido feito em Cascais é de alguém que está a ver além do seu tempo", começa por realçar Relvas para quem "Montenegro parte claramente à frente" e "tem todas as condições". E é aqui que entra o fator agregação: "a seguir precisam de se entender". Com a ressalva de que "tudo fará" para que isso aconteça.

Sobre o nome de Paulo Rangel que não se perfila, para já, nesta corrida, Relvas tece elogios mas nota a fragilidade que existe atualmente em torno do eurodeputado. "É um produto desta governação interna do partido e fez um mau resultado nas eleições europeias", diz Relvas considerando que Rangel "é um dos bons quadros que o PSD tem" e que quem vier a liderar o partido "tem obrigação" de contar com ele.

Mas o foco está também em combater o PS, partido que para Miguel Relvas "teve um mau resultado para o que podia ter tido nestas circunstâncias". O antigo ministro de Passos Coelho nota que António Costa "teve todas as facilidades" e que "tudo jogou a favor dele". "Se o PS não tirou maioria absoluta com a crise do PSD e do CDS nestas eleições, tira quando?", questiona Miguel Relvas que sublinha, por isso, a importância de um PSD forte.

De Macau para Portugal fica o pedido: "Não quero um PSD de serviços mínimos, quero um PSD que tenha ambição, que saiba que vai voltar a lutar".

A salvação do centro-direita

"Este caminho é muito difícil por isso todos são necessários". Todos? Mas quem são todos? Para Miguel Relvas, teremos sempre Passos Coelho e Paulo Portas, mas não só.

Se tudo falhar "nesta nova geração", o regresso ao passado é sempre uma hipótese a considerar. "Acho que Passos Coelho, não nesta fase, mas se esta nova geração não for capaz de agregar e de somar, eu não vejo que Passos Coelho e Paulo Portas estejam afastados da vida política", realça Relvas que, mais à frente nesta entrevista à TDM, nota que "há sempre gente que pode regressar" juntando aos nomes já citados o de Marques Mendes. "Em caso de emergência, aí estarão", sublinha.

No caso de Passos e Portas, a justificação é simples: "o governo em que ambos estiveram foi um governo que salvou Portugal".

"A história será muito mais simpática do que a realidade em relação àquilo que foi feito. Foi muito difícil, foi muito duro? Foi. Mas foi fantástico recuperar o país em quatro anos, parece que aquilo que vivemos a partir de 2016 foi algo que nasceu de geração espontânea. Não, não nasceu de geração espontânea. Nasceu de muito sacrifício, em primeiro lugar dos portugueses", destaca.

Falando em nomes do passado (e do presente), Relvas destaca outro: o de Pedro Santana Lopes. Analisando o resultado da Aliança, Relvas sublinha que o partido vai ter muitas dificuldades porque "fez um discurso muito equilibrado, falou para o eleitorado que fala o PSD e o CDS".

Voltando à agregação, Relvas gostaria que um futuro líder também pudesse contar com o antigo primeiro-ministro. "Gostaria muito de ver um líder que agregasse e voltasse a criar condições para trazer Pedro Santana Lopes para o nosso espaço". E com espaço leia-se "centro-direita" e não o PSD.

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