Faltam meios técnicos e humanos para acelerar vacinação, alertam profissionais de saúde

Os avisos são da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, da Ordem dos Médicos, e de Francisco George, antigo DGS. Para acelerar a vacinação, é preciso recursos humanos, até porque os pacientes não-Covid estão a ficar para trás.

É preciso acelerar a vacinação mas faltam meios técnicos e humanos. O alerta foi deixado no Fórum TSF pelo presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. Nuno Jacinto salienta que, a este ritmo, os doentes não-Covid vão continuar a ficar sistematicamente para trás.

"A nível dos centros de saúde, dos cuidados primários, estes meios continuam a ser insuficientes para todas as tarefas que temos em mãos; para a vacinação, agora, que é a tarefa que nos tem ocupado grande parte do tempo, mas também para a testagem, para os rastreios, para o acompanhamento de doentes suspeitos ou positivos, que também tem de continuar a ser feito." O responsável deixa este aviso num momento em que se "tenta retomar a atividade não-Covid e o seguimento de todos os outros doentes que continuam a existir".

Nuno Jacinto assinala que continua a haver parcos recursos humanos. "Sentimos cada vez mais dificuldades, não houve propriamente, ao longo destes meses, um reforço dos recursos humanos. Nalgumas unidades, pelo contrário, há menos médicos e enfermeiros. Tememos seriamente que alguma coisa comece a ficar para trás."

As equipas estão no limite das forças, e a hipótese de abdicarem das férias não foi bem recebida, salienta ainda o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, que diz que os profissionais de saúde estão "muitíssimo preocupados".

"Estamos a trabalhar há meses seguidos com muitos poucos dias de férias ou de descanso pelo meio, fazendo múltiplas horas extraordinárias. As pessoas já nem conseguem aumentar o número de horas que fazem, nós somos humanos e tudo tem limites."

Francisco George, ex diretor-geral da Saúde e presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, afirma que é preciso melhorar a comunicação sobre a pandemia, e ter uma linha de comando forte e confiar em quem está a gerir o processo. "Temos de criar este hábito de confiar na linha de comando de quem tem a responsabilidade de conduzir a gestão e controlo da pandemia", defendeu, ouvido no Fórum TSF.

O antigo DGS diz ainda que será necessário olhar para trás com duas lupas, a lupa científica e a lupa política, para averiguar se as medidas adotadas tiveram o rigor necessário.

Também o bastonário da Ordem dos Médicos considera que é preciso coerência na mensagem. Miguel Guimarães aplaude o trabalho que tem sido feito pela task force, mas considera urgente acelerar o processo de vacinação. "O senhor vice-almirante tem feito um trabalho verdadeiramente extraordinário, louvável, mas é fundamental que quem ajuda o trabalho do senhor vice-almirante, nomeadamente a própria Direção-Geral da Saúde, simplifique os procedimentos em termos de normas", esclarece.

"Neste momento há pessoas que tiveram a doença há cerca de seis meses e a quem falta uns dias para os seis meses e não estão vacinadas por causa disso", conclui Miguel Guimarães.

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