Quanto custam e onde se fazem os testes da "provável" imunidade à Covid-19?

"Provável" é a palavra mais importante quando se fala destes testes, que permitem dizer a alguém se teve a doença sem sintomas, mas ainda não dão a certeza que se esteja imune.

Os preços dependem do tipo de teste que é feito, da precisão, fiabilidade e até dos objetivos: saber se uma pessoa teve o novo coronavírus e nem deu por isso (os chamados testes "qualitativos"); ou se teve a doença, nem deu por isso e qual o nível de anticorpos que desenvolveu contra a Covid-19 (os testes "quantitativos").

Os testes sorológicos ficaram 'famosos' nos últimos dias porque só eles podem dizer se uma pessoa teve uma doença que muitas vezes passa por uma pessoa sem dar sintomas, conferindo-lhe, provavelmente, algum grau de imunidade, e porque o Presidente da República contou que fez um teste deste tipo na Fundação Champalimaud , concluindo que não está imunizado nem teve a Covid-19.

De 20 a 40 euros

Se ainda não é possível pedir estes testes nos serviços públicos de saúde, no privado são já vários os locais onde é possível fazê-los.

Por exemplo, nas clínicas Germano de Sousa, um dos maiores grupos de análises do país, o médico Germano de Sousa explica à TSF que há cerca de uma semana que são feitos os testes sorológicos quantitativos, que custam cerca de 40 euros.

"As empresas que desenvolveram os reagentes e que os vendem usam e abusam da investigação que fizeram e o teste fica ultra-caro. Só por esses reagentes pagamos mais de 30 euros", detalha o responsável por estas clínicas, que acredita que, aos poucos, os preços irão baixar quando se começarem a fazer testes deste tipo em grande quantidade.

O clínico detalha que os testes qualitativos, mais baratos (cerca de 20 euros) e bem menos complexos (basta uma gota de sangue, quase como um teste de gravidez), não têm grande utilidade e, por isso, as clínicas deste grupo não os fazem - apenas permitem dizer se a pessoa teve ou não a Covid-19.

Mais relevante é saber a quantidade de anticorpos contra o vírus que se encontra no plasma daquele que ainda não sabe, mas ficará a saber, que teve o novo coronavírus.

Falta experiência e tempo

"O problema é que não há experiência suficiente, tempo histórico da Covid-19, para concentração a concentração de anticorpos necessária para passar o atestado de imunidade e muito menos o tempo que esta pode durar", refere o médico que dá os exemplos das vacinas da gripe que têm de ser aplicadas todos os anos ou da vacina do tétano que dura uns 15 ou 20 anos.

Germano de Sousa acredita que os testes qualitativos, mais básicos, só serão úteis para saber quantas pessoas tiveram a doença sem dar por isso (um estudo que as autoridades de saúde já disseram ser importante) ou se se concluir que basta ter passado por ela, independentemente do volume de anticorpos que ficaram, para estar imune.

Mais clínicas à beira de fazer os testes

As clínicas deste grupo começaram a fazer há cerca de uma semana os testes sorológicos quantitativos e a procura não tem sido muita.

Também as clínicas Joaquim Chaves, outro dos maiores grupos de análises clínicas do país, está à beira de começar a fazer estes testes, faltando apenas que cheguem os reagentes, e mais uma vez a opção é fazer apenas os testes quantitativos. Fonte destas clínicas adianta à TSF que o preço ainda não está definido.

Imunidade é apenas uma probabilidade

Contudo, Germano de Sousa faz questão de sublinhar que é impossível dizer, hoje, a alguém, "não seria ético", que está imune à Covid-19, mesmo com o teste quantitativo: "Eu não sei, ninguém sabe, nem ninguém pode saber qual a concentração de anticorpos que dá imunidade, algo que só a experiência nos vai dizer".

"Em princípio mais anticorpos darão mais imunidade, pelo que o máximo que conseguiremos dizer é que alguém com grandes concentrações é provável que esteja imune à doença", explica o médico que faz questão de reforçar que a palavra mais importante é "provável" pois ainda ninguém tem a certeza.

"O teste quantitativo serve para dizer a alguém que tem um elevado teor de anticorpos e tendo em conta o que se conhece de outros vírus é provável que esteja protegido, mas eu não posso dizer que está", conclui Germano de Sousa.

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