Uso generalizado de máscaras: tudo o que precisa de saber
Covid-19

Uso generalizado de máscaras: tudo o que precisa de saber

Qualquer máscara é melhor do que nenhuma? A DGS mudou de opinião e agora recomenda o uso generalizado de máscaras não cirúrgicas numa nova informação.

Durante meses, a Direção-geral da Saúde (DGS) manteve-se firme no argumento: as máscaras dão "uma falsa sensação de segurança". Apesar de agora, pela primeira vez, admitir o uso generalizado destes equipamentos de proteção individual, o alerta mantém-se verdadeiro. Saber usar máscara é essencial.

Esta segunda-feira, a DGS emitiu uma nova informação que recomenda o uso de máscaras comunitárias (não cirúrgicas) por qualquer pessoa em espaços fechados, como supermercados, farmácias e transportes públicos, como "medida adicional" às já adotadas contra o novo coronavírus.

O que diz a nova diretiva?

Aplicando o Princípio da Precaução em Saúde Pública, "é de considerar uso de máscaras por todas as pessoas que permaneçam em espaços interiores fechados com múltiplas pessoas, como medida de proteção adicional ao distanciamento social, à higiene das mãos e à etiqueta respiratória", pode ler-se no documento divulgado pela DGS.

O documento subscrito por Graça Freitas ressalva que eficácia da utilização generalizada de máscaras pela comunidade na prevenção da infeção não está provada. Contudo, perante a emergência de uma doença nova, "a evidência vai evoluindo a cada momento e é afirmada num modelo colaborativo de experiências, antes do surgimento de evidência científica de maior rigor".

A DGS acrescenta que "a utilização de máscaras pela população é um ato de altruísmo, já que quem a utiliza não fica mais protegido, contribuindo, isso sim, para a proteção das outras pessoas, quando utilizada como medida de proteção adicional."

Consulte aqui a nova informação da DGS sobre o uso de máscaras na comunidade na íntegra

Diferentes tipos de máscara

Máscaras há muitas e nem todas protegem da mesma maneira. O novo coronavírus pode ser transmitido através de gotículas libertadas durante a fala, tosse ou espirros, pelo que o uso de máscara cirúrgica impede um doente com Covid-19 de contagiar outras pessoas, podendo também ajudar a evitar o contágio de pessoas saudáveis, enquanto uma máscara não cirúrgica apenas pode ser usada como barreira extra de proteção.

Máscaras cirúrgicas - apenas aconselhadas a profissionais de saúde e uma parcela da população, são feitas de polipropileno e prendem-se normalmente com elásticos. Estas máscaras têm habitualmente três camadas: uma exterior impermeável e repelente; uma intermédia que filtra agentes patogénicos; e uma interior, que absorve água, transpiração e saliva.

Respiradores N95ou FFP2 - também não indicada para a generalidade das pessoas, este tipo de máscaras tem até quatro camadas, incluindo uma barreira de "tecido não tecido" (TNT), uma de carvão ativado que protege de poluição química; um filtro de algodão para micropartículas e uma última de TNT de polipropileno para ficar encostada à pele. Destinam-se a filtrar o ar e podem ter, inclusive, uma válvula.

Máscaras não-cirúrgicas, comunitárias ou de uso social - qualquer máscara não certificada. Pode ser de pano e feita em casa. Até agora, a DGS desaconselhava o uso deste tipo de máscara, porque, como ainda se pode ler no site da DGS: "podem acumular resíduos ou até partículas infecciosas, fazendo com que aumente o risco de disseminação do vírus".

Como colocar e tirar

O primeiro passo para colocar qualquer máscara é lavar bem as mãos, com água e sabão, esfregando bem durante pelo menos um minuto - sem esquecer os espaços interdigitais, o polegar e as pontas dos dedos.

No caso das máscaras cirúrgicas, o lado branco (face interna) deve ficar virado para a cara, enquanto o lado colorido (face externa) deve ficar virado para fora.

Para colocar a máscara na cara devem ser usados os elásticos ou atilhos laterais, colocados atrás das orelhas ou atados na nuca e pescoço.

A máscara deve cobrir o nariz e a boca e ficar bem ajustada à cara.

Para tirar a máscara é necessário voltar a lavar bem as mãos e retirá-la a partir da parte de trás, sem tocar na face da frente, segurando os atilhos ou elásticos.

A máscara descartável deve ser deitada fora e as mãos novamente lavadas para concluir o processo.

Durante o uso: não esquecer

As máscaras devem ser usadas de forma interrupta durante a deslocação a um espaço público. Não é aconselhado tirar a máscara para falar ou fumar, e ainda menos baixá-la para o queixo ou a testa.

Durante o uso, não é recomendável tocar na máscara com as mãos, já que estas podem levar à acumulação de vírus. Se o fizer acidentalmente, deve lavar as mãos de imediato.

Todas as máscaras são uma medida complementar de proteção: o seu uso não dispensa a lavagem das mãos, a etiqueta respiratória (tossir ou espirrar para o braço com o cotovelo fletido, e não para as mãos) e a manutenção da distância social.

Posso reutilizar?

Todas as máscaras devem ser usadas por um máximo de seis horas ou retiradas quando ficam húmidas. Depois disso, o único destino possível das máscaras cirúrgicas e descartáveis é o lixo comum.

Não vale a pena pensar em esterilizar uma máscara descartável usada com recurso ao micro-ondas, raios ultravioleta ou qualquer lavagem. Também não adianta colocar a máscara "em quarentena" para usar dias mais tarde, com esperança que eventuais vírus nela depositados tenham desaparecido.

Estas máscaras ficam danificadas pela humidade provocada pelo nariz e boca, pelo quea barreira de segurança fica irremediavelmente comprometida depois do uso. Além disso, foram testadas vários métodos de limpeza mas nunca foi encontrada uma solução que permita não estragar a máscara.

Nas redes sociais há dezenas de empresas que prometem esterilizar máscaras para uso posterior ou que vendem máscaras com barreiras de TNT que alegam ser laváveis. Nenhuma das opções é recomendada pelas autoridades de saúde.

Já as máscaras de pano podem ser lavadas com água e sabão, a temperatura elevada.

As máscaras de pano são seguras?

As máscaras de pano não têm proteção contra as partículas e os microrganismos, pelo que não são recomendadas a profissionais de saúde, mas a DGS admite, agora, que podem ser usadas como "medida adicional" de proteção.

Estas máscaras podem, inclusive, ser feitas em casa, usando, de preferência, um tecido 100% de algodão dobrado em dois.

Quem deve usar máscaras cirúrgicas?

O uso de máscaras cirúrgicas está destinado apenas a profissionais de saúde, pessoas com sintomas respiratórios, idosos com mais de 65 anos, pessoas que tivessem contacto com doentes com Covid-19 ou com idosos, pessoas que estejam a fazer hemodiálise, doentes oncológicos a fazer quimioterapia ou radioterapia e doentes com imunodeficiências ou sob terapêuticas imunossupressoras.

Também bombeiros, polícias, guardas prisionais, profissionais e voluntários em instituições de acolhimento e apoio a pessoas sem-abrigo, funcionários e voluntários de distribuição de bens essenciais ao domicílio, trabalhadores das câmaras municipais durante a limpeza de ruas e recolha de resíduos urbanos, agentes funerários e outros funcionários que tenham contacto com o público onde não exista outra barreira de proteção podem usar máscaras cirúrgicas.

Os animais devem usar máscara?

Apesar das imagens captadas por fotojornalistas de todo o mundo mostrarem pessoas a passear cães com máscara, não há qualquer indicação de nenhuma entidade nacional ou internacional nesse sentido. Por outro lado, as patas dos animais podem ser lavadas com água e sabão no regresso a casa.

Pressão para tornar uso obrigatório

Muitos contornaram as diretivas sobre uso de máscara do Governo e da DGS, em linha com as indicações da Organização Mundial de Saúde e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças , inclusive Marcelo Rebelo de Sousa. No início do mês o Presidente da República admitiu usar máscara e luvas nas idas às compras, seguindo "a lição da China".

A região autónoma da Madeira foi a primeira a tornar obrigatório o uso generalizado de máscaras por pessoas saudáveis em ambientes comunitários, distribuindo-as pela população através dos CTT . Em paralelo, no continente, multiplicaram-se na semana passada as pressões às autoridades de saúde para fazer o mesmo.

O movimento "Máscara Para Todos" defende o uso obrigatório, com apoio do bastonário da Ordem dos Médicos , Miguel Guimarães, do reitor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fausto Pinto, da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública e do Sindicato Independente dos Médicos .

"O uso de uma máscara cirúrgica, bem colocada e manuseada, protege aqueles que nos rodeiam. E se todos o fizermos sempre que circulamos em público, todos estaremos mais protegidos", defendeu o SIM.

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