Extinction Rebellion

Quem são os jovens que tentaram "estragar a festa" de Costa?

Perante uma invasão de palco, o primeiro-ministro manteve-se impassível. O discurso do grupo Extinction Rebellion contra o aeroporto do Montijo foi abafado pelos militantes socialistas, mas ganhou voz nas horas seguintes. A TSF ouviu as explicações para o protesto.

António Costa discursava no 46.º aniversário do seu partido quando começou a ser sobrevoado por aviões de papel.

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Quatro jovens interromperam o evento e ainda que não não lhes tenha sido cedida a palavra em palco, a mensagem para o Governo foi clara: "Mais aviões só a brincar". É preciso um plano B para o aeroporto, o Montijo não é solução.

O discurso que um dos jovens tentou ler em palco, não tivessem os seguranças expulsado o grupo do recinto em menos de meio minuto, foi depois publicado no Facebook .

"Lamentamos estragar a vossa festa, mas o rio Tejo, aqui ao lado, a nossa cidade e as gerações futuras não têm nada para celebrar", escreveu o grupo Extinction Rebellion Portugal, repetindo as palavras abafadas por gritos de "PS! PS! PS!"

O Extinction Rebellion assume-se como um movimento sociopolítico internacional que "atua através de ações de desobediência civil não violentas para a reversão da emergência climática e ecológica global". Nasceu no Reino Unido, mas está agora presente em mais de 350 cidades por todo o mundo.

Quanto ao que aconteceu na festa do Partido Socialista, a coordenação do Extinction Rebellion explica que apela às pessoas para se manifestarem de forma não violenta, mas não organiza ações de protesto.

Sinan Eden admite que os protestos servem para apelar à reflexão por parte dos governos. Ainda não está decidido que pretendem fazer a seguir, mas garante que o movimento vai continuar.

O grupo acusa António Costa de comprometer "a saúde e a qualidade de vida de 30 mil pessoas" com a construção do aeroporto no Montijo, lembrando que a "poluição atmosférica e sonora dos aeroportos é causa de AVCs, doenças cardiovasculares e respiratórias, cancros, perturbações no sono e cognitivas".

Além disso, considera a medida incompatível com o compromisso assumido pelo Governo de tornar Portugal neutro em emissões de carbono em 2050.

"O primeiro-ministro assinou com a multinacional Vinci um acordo para não só aumentar o aeroporto da Portela, como construir um novo no Montijo, em plena reserva natural. O plano é quase duplicar a média de movimentos aéreos por hora - de 38 para 72 - e chegar a mais de 50 milhões de passageiros por ano. Isto é 10 vezes o número de passageiros de 2004. E abrir as portas a mais milhões de turistas todos os anos, numa cidade onde vivem 500 mil pessoas. Senhor primeiro-ministro, chegou a hora de dizer a verdade sobre o custo real deste acordo."

"Diga a verdade sobre as relações entre o poder político, a Vinci e as empresas que lucrarão com este projeto. Diga a verdade sobre a legislação europeia e nacional - relativa à proteção de ecossistemas, à saúde pública, ao direito a um ambiente são e a processos adequados de avaliação ambiental - que está a ser violada neste processo."

O Extinction Rebellion exige a suspensão do projeto de expansão da Portela e do novo aeroporto no Montijo, no Estuário do Tejo - "um paraíso de biodiversidade". Há que dar início a um processo de Avaliação Ambiental Estratégica "com vasta participação pública", defende.

Em entrevista à TSF e ao DN em março , António Costa defendeu que "a melhor solução - mais rápida e de menor custo - é o Montijo". Se a obra fosse chumbada, o Governo não tinha um plano B para a construção de um novo aeroporto complementar de Lisboa.

A ANA - Aeroportos de Portugal anunciou este mês que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do aeroporto do Montijo está concluído. Será agora incluído na plataforma online da Agência Portuguesa do Ambiente.

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