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Estudo identifica oito tipos de mulheres. Em qual se encaixa?

O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, apresentado esta terça-feira, identifica oito situações de vida nas quais se encaixam as mulheres portuguesas.

O que mais diferencia as oito situações de vida é, em primeiro lugar, a idade e, depois, o nível de escolaridade. A idade está muito relacionada com as frentes que as mulheres vão incorporando na sua vida e o nível de escolaridade com as dificuldades que as mulheres dizem ter para fazer o dinheiro chegar ao fim do mês.

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"Tudo pela frente"

São as mais jovens. Em média têm 23 anos. Dois terços estão a estudar. Quase todas continuam a morar em casa dos pais. Metade tem companheiro, mas não vivem juntos. Nenhuma tem filhos, mas a grande maioria diz que quer ter. Têm um estilo de vida saudável. Dormem mais que as outras mulheres. Um terço são agnósticas ou ateias. Esta é uma das situações de vida em que as mulheres se sentem menos felizes.

"Tu e eu podemos"

A idade não é determinante nesta situação de vida, embora todas tenham menos de 50 anos. Têm trabalho pago e valorizam o facto de o emprego lhes permitir desenvolver uma carreira profissional. Quase todas estão a viver com o companheiro. Nenhuma foi mãe, mas a grande maioria diz que ainda gostava de ter filhos. Têm menos dificuldade em fazer o dinheiro chegar ao fim do mês. Mais de metade diz que se sente feliz com a vida.

"Eu posso"

Apenas têm na vida a frente "trabalho pago". A única diferença em relação à situação anterior é que não têm companheiro, embora metade já tenha vivido no passado com alguém. A situação económica é menos robusta, porque não têm com quem partilhar as despesas. Quase metade ainda vive em casa dos pais. É a situação em que há mais mulheres que declaram que nunca quiseram ter filhos. A maioria diz que a vida está abaixo das suas expectativas e, por isso, é o grupo que revela um dos valores mais baixos de felicidade.

"Resignadas"

A vida destas mulheres está muito marcada pela frustração de não conseguirem um trabalho pago. É o grupo que tem o menor número de mulheres graduadas, mas a idade não é aqui relevante. É a situação em que há mais mulheres sem carta de condução. São as que mais gostam de tarefas domésticas. Mais de metade vive com o companheiro e, em 22% dos casos, o companheiro está também desempregado. É uma das situações em que as mulheres mais se arrependem da relação de casal e são as que mais referem ter sofrido de assédio no trabalho e de violência doméstica. Mais de metade tem filhos. O valor de felicidade média é o segundo mais baixo de todos.

"Em luta"

São mulheres que enfrentam grandes dificuldades para lidar com a frente "trabalho pago" e a frente "filhos", vivam ou não com o companheiro. Têm em média 40 anos. É a situação em que há o maior número de mulheres que deixaram de estudar quando concluíram o 12º ano, em que mais mulheres têm excesso de peso e em que mais mulheres declaram que se sentem demasiado cansadas. Dois terços delas têm rendimentos mensais líquidos abaixo dos 700€, sendo esta a situação com mais empregadas com um vínculo contratual não estável. É a situação em que mais mulheres declaram que se não precisassem de dinheiro, não trabalhariam e em que mais dificuldades têm em fazer o dinheiro chegar até ao fim do mês. No que toca à felicidade, a vida está abaixo ou muito abaixo das suas expectativas.

"Tudo sob controlo"

Ao contrário das anteriores, conseguem lidar sem grande dificuldade com a frente "trabalho pago" e a frente "filhos". Tal como as anteriores, são as mulheres que menos tempo têm para si próprias e para os seus passatempos. Têm um nível de formação muito elevado e, por isso, esta é uma das situações em que têm também rendimentos mais elevados. Têm igualmente flexibilidade para trabalhar a partir de casa e eventualmente já recusaram trabalhos por motivos pessoais ou familiares. É uma das situações em que as mulheres têm menos dificuldade em fazer o dinheiro chegar até ao fim do mês. Juntamente com a situação "Tudo pela frente", estas são as mulheres que menos se medicam e que se sentem felizes ou muito felizes com a vida.

"Realizadas"

Em média têm 55 anos e o nível de escolaridade não é relevante neste grupo. Quase metade têm dois filhos maiores. Só metade tem ainda algum filho a viver em casa. É a situação em que as mulheres têm os rendimentos mensais mais elevados, em que trabalham mais horas por semana, em que costumam viajar por motivos de trabalho, em que têm o ritmo de vida mais frenético. Praticam desporto e lêem. São as que se sentem mais realizadas com a relação de casal. A frequência com que os dois sozinhos fazem atividades de lazer é muito semelhante à dos casais mais jovens. A felicidade alcança neste grupo o valor mais elevado.

"Esgotadas"

São mulheres muito marcadas pelo facto de não conseguirem satisfazer as suas expectativas relativamente à vida, sendo que a maioria tem pouco tempo para remediar isso. Têm em média 57 anos. Mais de um terço são funcionárias públicas. É a situação em que mais mulheres dizem que não trabalhariam, se não precisassem de dinheiro. É a situação em que há mais mulheres que tiveram netos e também em que mais mulheres têm o pai ou a mãe dependentes física ou economicamente. No que diz respeito ao companheiro, é a situação em que mais mulheres se sentem "enganadas" com a relação de casal bem como em que mais mulheres se sentem "arrependidas" por ter tido filhos. A felicidade média alcança o valor mais baixo de todos.

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