igualdade de género

Divisão de tarefas domésticas. Faltam 180 anos para que seja igual entre homens e mulheres

Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, apresentado esta terça-feira em Lisboa, concluiu que há uma desigualdade acentuada entre homens e mulheres no que diz respeito a trabalho doméstico mas também na educação dos filhos.

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Vão ser necessárias entre cinco a seis gerações para que o trabalho não pago relativo a tarefas domésticas seja igual entre casais, em que ambos trabalham fora de casa. Se a renovação de gerações acontecer a cada 30 anos, as mulheres portuguesas podem ter de esperar 180 anos para verem os companheiros a partilhar os afazeres da casa de forma igual. A conclusão foi apresentada esta terça-feira em Lisboa no estudo "Quem são, o que pensam e como se sentem as mulheres em Portugal", divulgado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

A análise revela que as mulheres destinam mais de metade do tempo em que estão acordadas a fazer trabalho não pago. Desde limpeza da casa, lavandaria, compras de supermercado e cuidados com os filhos, as mulheres dedicam quase seis horas por dias a trabalho não pago, quer tenham ou não um emprego fora de casa.

No caso das tarefas domésticas, as mulheres suportam mais do triplo de trabalho que o companheiro (74%), enquanto o homem com quem vivem está responsável por 23% dos afazeres. Os casais considerados simétricos, em que ambos partilham igualmente os afazeres da casa, correspondem a 30% dos casos.

De acordo com os resultados do estudo, quase um terço das mulheres que mora com um homem (56%) refere que, antes de viverem juntos até negociaram a partilha das tarefas, mas esse combinado só está a ser cumprido em 67% das situações.

No caso das mulheres que ainda vivem sozinhas mas esperam vir a partilhar a vida com um companheiro há algum otimismo mas, segundo a pesquisa, estas mulheres nem consideram a hipótese de haver um equilíbrio nas tarefas domésticas e admitem que vão ter de ser elas a assumir a maioria do trabalho.

Educação dos filhos

No que diz respeito à educação e cuidado dos filhos, os resultados seguem a mesma trajetória. As mulheres garantem 73% do trabalho, enquanto os companheiros asseguram 21%. Para estas contas entra também a assistência dos avós e ajuda remunerada que se fica pelos 6%.

As entrevistadas com um filho ou neto até aos cinco anos dedicam um total de 82% do tempo a cuidar da criança e a tratar das tarefas domésticas, acabando por ficar com menos de uma hora por dia para si próprias.

Relativamente ao contributo do pai para a educação dos filhos, não houve nenhuma evolução na última geração, concluiu o estudo, mas os investigadores admitem que viram melhorias entre alguns casais.

O estudo coordenado pela investigadora Laura Sagnier entrevistou 2428 mulheres entre os 18 e 64 anos a viver em Portugal, uma amostra que representa perto de 2.7 milhões de mulheres no país.

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