O nome do suspeito faz parte da lista entregue pela Comissão o Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica.
A Arquidiocese de Braga revelou, esta sexta-feira, que afastou um padre suspeito de abusos sexuais, cujo nome consta na lista da Comissão o Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica em Portugal.
"Um último nome diz respeito a um sacerdote que, depois de um diálogo com o Senhor Arcebispo, foi afastado preventivamente do exercício público do ministério sacerdotal. A decisão cautelar de afastar preventivamente o sacerdote em causa não prejudica o princípio da presunção de inocência. Trata-se de aplicar as linhas orientadoras de ação da Igreja em matéria de abusos sexuais de menores, em conformidade com o Vade-mécum sobre procedimentos relativos a casos de abuso sexual de menores cometidos por clérigos", pode ler-se no comunicado da Arquidiocese de Braga.
Entre os oito nomes que fazem parte da lista estão três sacerdotes "já falecidos", um que "não corresponde a nenhum sacerdote da Arquidiocese de Braga" e um que já foi "alvo de um processo canónico por abuso sexual de menores" e que resultou na aplicação de medidas disciplinares. Mas não se fica por aqui. Há ainda um agente pastoral que ainda não foi possível identificar por "falta de elementos de identificação".
A instituição reafirma ainda o "compromisso em acolher e escutar as vítimas, tratando todos os casos com critérios inequívocos de transparência e justiça, contribuindo assim para a máxima reparação possível do mal sofrido".
"Sabemos que pedir perdão não é suficiente. São-nos pedidas ações concretas. Neste sentido, uma equipa de profissionais está disponível para oferecer apoio psicológico, psiquiátrico, jurídico e espiritual a todas as vítimas que solicitem este serviço. Comprometemo-nos com a promoção de uma cultura de cuidado e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para prevenir futuros casos de abuso", acrescenta o comunicado.
A Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja Católica validou 512 testemunhos, apontando, por extrapolação, para pelo menos 4815 vítimas. Vinte e cinco casos foram enviados ao Ministério Público, que abriu 15 inquéritos, dos quais nove foram arquivados.
Os testemunhos referem-se a casos ocorridos entre 1950 e 2022, o espaço temporal abrangido pelo trabalho da comissão.
No relatório, divulgado em fevereiro, a comissão alertou que os dados recolhidos nos arquivos eclesiásticos sobre a incidência dos abusos sexuais "devem ser entendidos como a 'ponta do iceberg'" deste fenómeno.
A comissão entregou aos bispos diocesanos listas de alegados abusadores, alguns ainda no ativo. Na quarta-feira, a diocese de Angra, nos Açores, e a arquidiocese de Évora, anunciaram a suspensão cautelar de três sacerdotes, enquanto decorrem investigações sobre alegados casos de abuso por eles praticados. Já hoje, também a diocese da Guarda anunciou a suspensão de um padre e a abertura de investigação.