Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, afirma que as reformas na saúde não se fazem sem profissionais
O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) lamenta não conhecer os diplomas que o Presidente da República devolveu ao Governo. " Há linhas gerais que são públicas, mas não sabemos o pormenor", garante Carlos Cortes.
Em declarações à TSF, o representante dos médicos considera que "houve falta de diálogo com os parceiros do setor, a Ordem dos Médicos, os próprios sindicatos, quem no dia a dia conhece o Serviço Nacional de Saúde". Por conseguinte, o médico sugere que pode ter existido por parte do Executivo "falta de fundamentação técnica, por falta também de diálogo com estas estruturas".
"Eu tomo boa nota da resposta do Governo, em relação a esta decisão do Presidente da República, de começar agora a dialogar de forma humilde - são as palavras que foram ouvidas - e de forma construtiva para nós podermos também colaborar, apoiar, ajudar a encontrar as soluções certas", afirma.
Marcelo Revelo de Sousa devolveu ao Governo, sem promulgação, os decretos-lei aprovados em Conselho de Ministros sobre a centralização dos serviços de urgência, a criação do Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia (SINACC) e as novas regras da contratação de médicos "tarefeiros" no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O Executivo confirmou ao jornal Expresso que recebeu do Presidente da República "comunicações para o aperfeiçoamento de três decretos-lei que aprovariam três das mais importantes reformas na Saúde", adiantando que as "está a analisar" e que se "enquadram num habitual diálogo interinstitucional relativo a diplomas do Governo".
No entanto, do ponto de vista da Ordem dos Médicos, nenhuma reforma do SNS faz sentido sem a maior reforma necessária: a contratação de mais médicos. "Não haverá nenhum decreto, não haverá nenhuma medida, nenhum plano que tenha êxito, se não tivermos medidas de atração para o Serviço Nacional de Saúde", considera Carlos Cortes.
"Espero que neste diálogo que o Governo diz que vai ter nas próximas semanas, com estruturas representantes dos profissionais de saúde, haja também a noção da importância de termos médicos onde eles fazem falta, nas especialidades que são necessárias", conclui.