Bernardo Vital: os conselhos ao irmão que desponta no Estoril, Pietuszewski e a aventura na Polónia

Reprodução/Instagram @bernardovital
O antigo central do Estoril Praia fala na TSF das experiências no exterior, mas também das conversas com o irmão mais novo, também defesa central e também jogador do Estoril Praia
Bernardo Vital trocou há ano e meio um lugar estável na equipa do Estoril Praia e na Liga portuguesa por um desafio na segunda divisão espanhola. O antigo defesa central vê agora, aos 25 anos, o irmão mais novo, António Vital fazer um percurso semelhante, dos escalões mais baixos do Estoril até à equipa de sub23. António também é defesa central, mas Bernardo prefere ajudá-lo com aspetos fora de campo, no diálogo que mantêm, também sobre futebol.
"Os meus conselhos passam por aquilo que eu acho que ele deve fazer fora de campo", começa por explicar à TSF Bernardo Vital. "Nesta vida [como profissional de futebol] precisamos de trabalhar muito, de viver para a profissão que temos. Isso deve acontecer dentro e fora do clube. Eu tento ajudá-lo para que cresça nessa parte mental e tenho visto que ele está a crescer", indica o mais velho dos Vital.
Bernardo teve de tomar uma decisão difícil há ano e meio, ao deixar a Amoreira para viajar até ao futebol espanhol. Para trás ficavam vários anos ao serviço dos canarinhos, uma afirmação pouco depois da pandemia, e mais de 30 jogos nas últimas duas temporadas do antigo internacional sub-21 português.
"Com o passar do tempo, sinto cada vez mais que foi a opção certa. A experiência em Espanha foi muito importante para mim, tanto pela qualidade individual da Liga como pela competitividade, numa Liga com muita visibilidade." Não há como desvalorizar o campeonato da segunda divisão do país vizinho, e Bernardo Vital tem na ponta da língua um rival que ilustra o tipo de jogador que por ali se encontra.
"Apesar de ser uma segunda liga, a qualidade individual é muito elevada. Os jogadores têm outra tomada de decisão, [como defesa central] temos de errar muito menos. Eu lembro-me de estar a jogar contra o Almería e o avançado deles era o Luis Suárez, que está agora no Sporting. Por isso, os níveis de concentração têm de subir para jogar contra estes jogadores de grande qualidade individual. Senti que, individualmente, aquele futebol estava um passo acima do nosso", confessa.
Uma temporada em Zaragoza levou Bernardo Vital a mudar-se para a Polónia, para o Jagiellonia Byalistok, clube de cidade próxima da fronteira leste coma a Bielorrússia. "Esta mudança para a Polónia também foi um bom passo para mim, tive de mudar muito o meu jogo para me adaptar. Tenho tido a sorte de, coletivamente, as coisas estarem a correr muito bem este ano", refere.
Na Polónia o ambiente nos estádios impressiona o jogador português: "O campeonato é muito competitivo, qualquer equipa pode ganhar e perder em qualquer campo. Os adeptos também têm importância porque, ali, quando jogamos fora, isso sente-se." Sente-se também ao olhar para a tabela, quando na pausa de inverno - por causa do rigor da estação no ano -, o Wisla Plock (1.º) tem apenas dez pontos de distância para o 15.º da tabela, número que em Portugal pode separar FC Porto e Benfica [em caso de vitória dos dragões sobre o AVS], distancia entre 1.º e 3.º da Liga portuguesa.
"Um futebol mais físico mas também com muita qualidade. Nos últimos anos têm vindo a investir, levando para lá jogadores de maior qualidade. Os meus companheiros de equipa espanhóis explicam que antes iam buscar jogadores de segunda ou terceira divisão em Espanha, de equipas que lutam para não descer, descreve Bernardo Vital sobre o Jagiellonia, 3.º colocado do campeonato.
"É um jogo mais físico, mais intenso, algo que eu não estava habituado (...) O trabalho que fazia no Estoril já era muito completo, mas tive de aumentar os meus níveis de agressividade, que era algo em que não era tão forte. Hoje sinto-me um jogador mais completo, porque tenho leitura de jogo, posicionamento ou com bola, que eram os meus pontos fortes. Sinto que estou muito mais preparado para o duelo físico, para o choque, para a parte mais agressiva do jogo".
São pormenores da história de um central quando jovem. Bernardo Vital sente que continua a evoluir a cada passo. Agora, com 25 anos, além de olhar à distância para o crescimento do irmão mais novo, tem também no balneário um papel reforçado de auxílio aos mais jovens. É o caso de Oskar Pietuszewski, jogador de 17 anos apontado ao Futebol Clube do Porto, extremo esquerdo do Jagiellonia.
"Há muitos jogadores com qualidade na Polónia e o Oskar é um deles. Há muito investimento na Liga, trabalha-se muito bem, seja a nível físico como do crescimento individual dos jogadores. Vemos um crescimento dos atletas. É muito jovem, tem uma grande margem de progressão", descreve.
Pietuszewski já conta 31 jogos esta temporada na equipa principal. "Ele tem tido um papel muito importante e tem mostrado toda a sua qualidade. O facto de ter tantos jogos mostra que tem muita maturidade, mas também precisa do seu espaço e do seu tempo para evoluir. A qualidade da margem de progressão são evidentes, isso é inegável", mas Bernardo Vital sabe que o tempo de jogo é essencial para um jogador tão jovem.
O rigor do inverno oferece aos jogadores na Polónia um período de pausa. Bernardo Vital não quer colocar o título polaco como objetivo para a época, mas a luta pelo campeonato promete ser equilibrada até ao final. Na Conference League, o clube já garantiu um lugar no playoff.