E as balizas, senhores? A tarde em que Renan e Casillas foram (quase) espectadores

FC Porto quebra uma série de 18 vitórias consecutivas. Sporting perde pontos em casa pela primeira vez.

Uma das regras básicas do futebol é a de que, para marcar golos, é preciso introduzir a bola na baliza. É pena que Sporting e FC Porto praticamente só se tenham lembrado disso a cinco minutos do fim da partida, quando, já com a "carne toda no assador", decidiram atacar a um ritmo frenético. Ainda assim, a tarde em Alvalade não foi parca em termos de emoção: o jogo era de alto risco e, ainda antes do apito inicial, já Alvalade assistia ao perigo in loco. Na bancada das claques do Sporting viam-se labaredas e, não fosse a rápida intervenção dos bombeiros, o jogo podia ter começado com um tom de tragédia.

Resolvida da melhor forma essa situação, lá começou a partida, 10 minutos depois do que estava previsto. Foi o FC Porto quem começou por atacar, com Corona e Alex Telles a criarem muito perigo, sobretudo através de pontapés de canto.

Os portistas apresentavam-se em Alvalade com o equipamento comemorativo do 125.º aniversário do clube, enquanto o Sporting alinhava com o equipamento clássico. Bruno Gaspar é que pareceu não ter reparado nisso: aos seis minutos, o defesa-direito do Sporting atropela um colega de equipa e acaba por deixar Brahimi fugir em direção à linha. Felizmente para os homens de Alvalade, o argelino ainda estava a alinhar a mira.

A primeira grande oportunidade dos homens da casa chegou aos 12 minutos, quando Mathieu bateu um livre direto à entrada da grande área que acabou por sair por cima da baliza de Casillas. Bruno Gaspar continuava, por seu lado, a falhar a bola e acertar nos colegas de profissão. Desta vez, em vez de beneficiar Brahimi, o argelino foi mesmo o alvo da entrada do defesa dos leões. Os laterais do Sporting denotavam algum nervosismo e Jefferson foi incapaz de esconder isso quando, ao quarto de hora de jogo quase encostou a testa à de Hugo Miguel... Nani evitou o pior e o brasileiro viu apenas o amarelo.

Bas Dost recebia pouca bola, muito por culpa da pouca capacidade do meio-campo sportinguista: Bruno Fernandes corria mais sem bola do que com ela e Wendel parecia ter dificuldade em entrar na partida. Do lado portista era Marega quem criava mais perigo para os azuis e brancos e nem precisava de esforçar-se muito. À passagem dos 30 minutos, Jefferson faz um passe de morte em direção à grande área sportinguista e, não fosse a velocidade com que Renan saiu à bola, o FC Porto podia mesmo ter chegado à vantagem.

Foi poucos momentos depois que o Sporting conseguiu voltar a criar perigo, cortesia do "senhor 100 jogos na Liga", Nani. Num contra-ataque irrepreensível, o extremo português aproveitou da melhor forma um cruzamento que lhe foi parar aos pés e rematou à baliza de Casillas, mas Felipe impediu o primeiro golo da partida. Seis minutos depois, a defesa portista quis equilibrar o jogo em termos de "prendas" e isolou Bas Dost mas, no momento de controlar a bola, o holandês escorregou e acabou por ver a bola bater-lhe... na nuca.

Quem caiu e já não conseguiu levantar-se foi Maxi Pereira. O uruguaio lesionou-se aos 42 minutos e obrigou Sérgio Conceição a mexer na equipa: chegou a vislumbrar-se uma entrada de Pepe e uma passagem de Militão para o corredor direito, mas acabou por ser Corona quem recuou para a defesa, entrando Óliver para o meio-campo portista, mesmo no fecho da primeira parte.

No arranque do segundo tempo percebeu-se que o Sporting tinha em curso um teste que correu mal. Bruno Gaspar não vinha com boa cara dos balneários e rápido se percebeu o porquê. O defesa lateral ressentiu-se logo no primeiro lance em que participou no segundo tempo e Keizer deu ordem de substituição, lançando Ristovski para o seu lugar. Não era a tarde dos defesas direitos.

Certo é que não foi só na lesão que o Sporting "imitou" os portistas: a equipa de Alvalade entrou melhor na segunda parte e criou perigo logo nos primeiros cinco minutos. Bruno Fernandes conseguiu isolar Diaby mas o maliano não conseguiu entender-se com Bas Dost. Logo depois, também pareceu não entender que Alex Telles é feito de carne e osso, tal como ele - aprendeu da pior maneira, quando ambos ficaram deitados no relvado depois de um choque aparatoso.

Foi preciso esperar 55 minutos para se ver a primeira oportunidade flagrante de golo, que Soares tratou de desperdiçar. O brasileiro, na pequena área, falhou uma bola cruzada a partir da direita de tal forma que lhe acertou involuntariamente com o pé de apoio e ainda assim obrigou Renan Ribeiro a um golpe de rins fantástico.

Logo de seguida foi Marega quem, após um cruzamento gigante de Alex Telles e de um falhanço da defesa do Sporting, não conseguiu, sozinho, rematar em direção à baliza. Bruno Fernandes não quis ficar atrás em termos de remates e, também ele, desferiu um forte pontapé que obrigou Casillas a aplicar-se.

Na luta de erros defensivos, o FC Porto chegou à vantagem quando Corona, aos 66 minutos, fez o que um defesa nunca deve fazer: um passe às cegas, para o interior da sua grande área e sem apoio de colegas de equipa. Valeu a experiência de Casillas, que conseguiu impedir por milímetros que Bas Dost chegasse à bola e corresse para uma baliza deserta.

De susto em susto, assim ia andando o FC Porto. Depois do erro de Corona, foi Danilo quem fez pairar fantasmas sobre a equipa azul e branca, quando após uma disputa de bola se deitou no relvado a contorcer-se, agarrado ao tornozelo. Ainda se temeu uma nova lesão grave do trinco português, mas o 22 do FC Porto lá se levantou, saiu do campo, testou o tornozelo e regressou. Quem saiu mesmo foi Soares, rendido por Fernando Andrade.

Troca de avançados nos dragões e troca de papéis... no Sporting. Bruno Fernandes bateu um livre direto de forma muito curta e ofereceu a bola a Gudelj que, bem longe da baliza, soltou um disparo fortíssimo que Casillas teve de desviar para canto. Na sequência do mesmo, foi Bas Dost quem causou novos calafrios aos dragões.

Foi dos bancos que veio a toada para os últimos 10 minutos da partida: Raphinha e Hernâni eram lançados numa tentativa de dar a estocada final do adversário. A tática ia resultando para ambos os lados: foi nos últimos 5 minutos do jogo que as equipas se lembraram que para vencer era preciso marcar, pelo que se assistiu a cinco minutos loucos. O público terá, com toda a certeza, desejado que o jogo estivesse a começar naqueles precisos minutos, mas Hugo Miguel não quis fazer a vontade às bancadas de Alvalade. A partida acabava empatada a zero e, assim, mantém-se assim a distância de oito pontos entre as equipas.

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