COP30: Greenpeace desce Amazonas com flotilha de 200 barcos indígenas para pedir ação imediata

Rainbow Warrior o icónico barco das causas do Greenpeace à chegada a Belém do Pará no último sábado
Greenpeace
O Rainbow Warrior, navio icónico do movimento ambientalista Greenpeace, atracou no sábado em Belém, no Brasil, para levar uma mensagem de urgência climática e um pacote de medidas aos líderes da COP30. A flotilha, que entra em ação na água, com mais de 200 embarcações indígenas que na quarta-feira vão descer a corrente de água doce maior do planeta, o rio Amazonas
O movimento Greenpeace atracou em Belém, no Brasil, com o seu icónico barco das causas, já numa versão elétrica e sistemas sustentáveis de vida a bordo e, no porão, traz um pacote de propostas para ação imediata dos líderes mundiais na COP30 e, entre elas, estão taxas para forçar o fim do uso de carbono, no gás e no petróleo, novos impostos para a indústria fóssil e um plano para acabar antes de 2030 com a desflorestação da floresta amazónica, bem como o reconhecimento das comunidades indígenas na proteção da vida, do território e da biodiversidade.
Esta semana, o movimento reúne ativistas de todo o mundo na Cúpula dos Povos, uma cimeira que decorre em paralelo à COP30, mas dentro do recinto da mesma.
No sábado, mobiliza participantes e representantes para a tradicional marcha da ação climática pelas ruas de Belém do Pará e deixa o seu barco, ícone dos mares como "guerreiro" das suas causas, com 58 metros de comprimento, 11 metros de largura e 54 metros de altura aberto a visitas gratuitas, entre as 09h00 e as 16h00, com acesso por ordem de chegada.
Já esta semana, uma atualização do relatório de síntese de 2025 da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática coloca em evidência que os planos e compromissos ambientais apresentados até agora pelos países carecem da ambição necessária marcada pela ciência.
Eva Saldaña, diretora-executiva da Greenpeace Portugal e Espanha, salienta esse facto e, em declarações à TSF/JN, afirma que o mundo chega a esta COP30 num momento muito crítico.
"Sete dos nove limites planetários foram ultrapassados. Devíamos chegar a uma redução de 60% para 2035 e, até o momento, só se vai alcançar uns mínimos 12%. Enquanto isso, os impactos das alterações climáticas avançam com mais intensidade e frequência, tal como, tristemente, se tem comprovado, com o tornado mortal no Brasil, ou o super tufão destrutivo nas Filipinas, ou como vimos há um ano com o fenómeno Dana na cidade espanhola de Valência, ou nos incêndios incontroláveis e devastadores do último verão em Portugal, que nos lembram a tragédia de 2017", alerta.
Com este argumento, o Greenpeace pergunta que futuro querem escolher líderes mundiais e se serão capazes de chegar a acordos para evitar os piores cenários.
A ativista não tem dúvidas: "A COP30 é, sem dúvida, uma oportunidade única para refrear a desflorestação e avançar com a justiça climática numa década que é crítica."
Nesse sentido, confirma que no próximo sábado, dia 15, o movimento ambientalista estará na Marcha pelo Clima. "Vamos encher as ruas de Belém e de diferentes lugares do mundo para exigir, mais uma vez, justiça climática", assegura.
Na mensagem deixada logo no arranque da cimeira em Belém, Toni Melajoki Roseiro, diretor da Greenpeace Portugal foi mais longe e pediu ação do Governo português.
"Esta não é apenas mais uma cimeira, chegou o momento de Portugal provar que a sua voz conta", apela.
Já Carolina Pasquali, diretora-executiva da Greenpeace Brasil, pede um ponto de viragem e uma resposta ambiciosa, corajosa e imediata, tal como ouviu do Presidente do Brasil. "Lula da Silva foi claro na cimeira de líderes: a COP30 deve apresentar resultados concretos. O sinal político foi dado. Agora é tempo de o transformar em ação real. O mundo espera mais do que discursos. Espera liderança através de atos."
A nível geral, o Greenpeace apela assim que em Belém se concretize um Plano Global de Resposta Climática, para colmatar a lacuna na ambição de 1,5 °C e acelerar a redução de emissões nesta década que considera crítica, incluindo medidas decisivas para abandonar os combustíveis fósseis.
Já sobre o novo Plano de Ação Florestal de cinco anos, quer pôr fim à desflorestação até 2030 e a criação de uma nova agenda permanente da UNFCCC para reforçar o financiamento climático, aumentando o apoio público dos países desenvolvidos e aplicando um imposto sobre os poluidores para desbloquear fundos públicos em larga escala para os países em desenvolvimento.
