
Floresta de Moscavide
Foto: DR
O restaurante Floresta de Moscavide fica no casario central do inefável lugar que é Moscavide, outrora sítio remoto e afastado do que entendíamos como Lisboa. A Expo"98 colocou-o em definitivo nas saias da capital e foram muitos os que se deslocaram para essa região mais a norte. Além disso, a sua mesa contempla e congrega as várias regiões do país, numa alegre e vibrante combinação.
Se procura um bom cozido à portuguesa, aqui, à quinta-feira e ao domingo encontra o paraíso. Profusão de carnes de primeira, verduras de sabor nostálgico e enchidos de antologia. Mas há mais, muito mais para explorar. Não há como consultar a casa e conferir os especiais desse dia.
As entradas configuram normalmente tudo o que nos alegra a alma. Excelentes as ameijoas à Bulhão Pato. Brilhante o casco de sapateira. E geniais as gambas al ajillo. Havendo camarão de Espinho, não hesite, especialmente se estiver ovado.
Os pratos de peixe são um regalo para os sentidos. Faz-se um maravilhoso arroz de polvo no tacho, que nos enche as medidas. O ensopado de enguias à ribatejana é feito com produto excecional e processado com a mais fina arte culinária. Adoro a feijoada de choco com marisco, é o meu prato favorito aqui neste pedaço de paraíso. Raramente se encontra assim bem feita, com sabores tão autênticos e tão presentes. A casa faz um excecional bacalhau no forno à minhota, vizinho do bacalhau à Braga, que tanto nos estimula a gula. E há filetes de peixe-galo com arroz de feijão que nos fazem sonhar acordados.
Os pratos de carne são todos apetecíveis. Se conseguir, escolha um domingo ou uma quinta-feira para visitar esta Floresta, porque há cozido à portuguesa, de resto já mencionado. Ao domingo encontra também, entre outras delícias, um glorioso cabrito assado no forno à padeiro. Peças escolhidas a dedo, acompanhadas de batatas de forno e legumes que nos fazem voar. Adoro a chanfana de cabra velha à moda do chefe, é do outro mundo. É dos raros sítios onde se pode comer à confiança. Os rojões à moda do Gerês são prodigiosos e viciantes. E a língua de vitela estufada à prado verde é toda uma iluminação, mesmo para os que normalmente são arredios em relação à iguaria.
Há várias opções para terminar docemente a sua refeição. Aconselho sem hesitar o leite-creme, feito à antiga, sem véus nem disfarces. E é excecional a tarte de coco, explosão de sabores na boca e autenticidade culinária a toda a prova. Mesmo que não faça parte dos seus circuitos diários, vai voltar muitas vezes.