
Tasca do Montinho
Foto: DR
O restaurante Tasca do Montinho, em Santo António de Alcôrrego, fica no norte alentejano, perto de Avis. Lugar de fusão gastronómica e encontro de terroirs vínicos exemplares. Aqui estamos na mítica transição xisto-granito, em termos de vinhas, e encontramos à mesa um misto inesquecível de técnicas e produção. A toada é principalmente alentejana e vai mais além.
O labor de Maria José na cozinha deixa marca profunda em nós e o calor de Joaquim Fava na sala é o complemento ideal para tornar a simples refeição no mais fantástico momento. Foi a virtude culinária da nossa chef que levou a que, em 1997, se estabelecessem em lugar próprio e somos nós que lucramos com isso.
No início da refeição, temos petiscos diversos ao nosso dispor. E sopas maravilhosas, que aconselho fortemente. A sopa de tomate com enchidos fritos vale quase por uma refeição inteira. Chegada a época do tomate, não deixe escapar esta delícia. Faz-se um pica-pau de lombinho de porco, que é único na restauração nacional. E a orelheira de porco, apresentada como salada tépida temperada com alhos e coentros, vai direta ao coração. Gosto muito da salada tépida de cogumelos salteados, temperos seguros e sápidos. Temos ovos de codorniz, queijinho alentejano e paio de porco ibérico bem fatiado para nos entreter. A farinheira frita é excelente, com ovos mexidos ainda é melhor.

Há muito por onde escolher nos pratos de peixe. A sopa de cação é de pureza canónica, livre dos atavismos desnecessários que encontramos na maioria das casas. Caldo puxado a partir de piso bem-feito, fervura aturada e longa, e muito talento. É excecional o bacalhau gratinado com espinafres, só se come aqui e segue o minimalismo que todos adoramos. Há lulinhas fritas que se devoram, feitas gulodice irresistível. E fazem-se ótimos filetes de peixe-galo com arroz de tomate, que Maria José produz com particular cuidado.
Os pratos de carne contemplam o inevitável porco grelhado com migas de espargos e que aqui são mesmo muito especiais. Faz-se um galo de cabidela delicioso, que se come até raspar o tacho. São excelentes as costeletas de borrego, grelhadas ou fritas. Cortadas fininho e bem condimentadas, configuram perdição. Sou fã da empada de perdiz e a perdiz estufada é de antologia.
Há boas sobremesas, entrego-me principalmente à encharcada de noz ou à sericaia. E prometo secretamente voltar amanhã. Certo é que na Tasca do Montinho devemos animar-nos e fazer as honras a todas as delícias que pudermos, vai passar algum tempo até à próxima.