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O restaurante Caetano, no Porto, é bastião importante da cozinha tradicional portuguesa, nas suas diversas frentes. Representa há três décadas trunfos importantes na Invicta, como a carne arouquesa e o famoso bife de Alvarenga, dela derivado. Almoçar ou jantar nesta casa é como viajar no tempo. As salas transformam-se em naves intergalácticas e o serviço é primoroso. A grande tradição é-nos servida em pratos de inspiração clássica, em declinações modernas. António Caetano é o feliz proprietário e o chef António Cardoso assume e guarda os fogões da casa.
Temos petiscos diversos ao nosso dispor à laia de entradas, perante as quais nunca nos fazemos rogados. Falo de presunto, bolinhos de bacalhau, chamuças, croquetes e rissóis. Ou de um belíssimo caldo verde. Instalada que está a estação mais fria do ano, sabem pela vida as boas papas de sarrabulho que saem da cozinha.
Os pratos de peixe contemplam glórias como os sempre bem-vindos bolinhos de bacalhau com salada de feijão-frade. Serve-se excelente peixe-espada dourado com arroz de legumes, que vai muito bem com um bom verde branco. Há sempre bacalhau à lagareiro, feito como manda a regra e regada por excelente azeite virgem extra. Sou sempre adepto incondicional de uma boa cabeça de peixe e aqui está disponível uma genial cabeça de corvina grelhada, que vem com batata cozida, feijão-verde e ovo cozido. Temos trabalho para um bom par de horas, por isso, organize a sua vida, delícias como esta requerem e merecem tempo.
Há salmão genuíno grelhado, de boa e certificada proveniência. Assim como há peixes de bitolas grandes para emprestar à grelha, o chef Cardoso dá bem conta do recado. E há deliciosos filetes de pescadas, acompanhados de arroz de legumes. Fritura cuidada e limpa, sabores e temperos bem definidos.
Nos pratos de carne, saltam à vista e à gula os maravilhosos rojões com arroz de sarrabulho. A posta à arouquesa é a causa mais frequente da nossa vinda a este templo de bem comer e fazemos-lhe naturalmente as honras, com batata a murro e grelos. Também de Arouca vem a espetacular vitela assada, a um tempo ex-libris e sonho de todo o gourmet que se preze. E há um bife à moda da casa que nos põe a pensar na vida.
Há que guardar espaço no estômago para pelo menos uma rabanada da casa. Isto se conseguir ficar-se por apenas uma. A mousse de chocolate é excelente, assim como a tarte de amêndoa. Duas delícias que devoramos sempre. E faz-se um pudim abade de Priscos que nunca mais esquecemos. É sempre assim no Caetano.