
Olga Fedorova/EPA
Pacheco Pereira estreia 2026 a definir o panorama mundial, no programa O Princípio da Incerteza, após o ataque dos EUA na Venezuela: "Não adianta pedir moderação a um homem que vive essencialmente da vingança", numa referência a Trump
A captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos da América (EUA) e as ambições da Administração Trump no país sul-americano foram tema no programa da TSF e CNN Portugal, O Princípio da Incerteza. José Pacheco Pereira vê a política do líder norte-americano como "absolutamente inaceitável", visto que "nos põe em causa a todos".
O historiador diz que o mundo assiste a uma espécie de "dogmaquia" e critica a reação da União Europeia (UE) à ação dos EUA: "Não adianta pedir moderação a um homem que vive essencialmente da vingança, da força e do ataque àqueles que considera seus inimigos", numa referência a Donald Trump.
Além disso, Pacheco Pereira estranha "o elogio à qualidade da intervenção militar", que, na sua opinião, desvia a atenção "da circunstância de um país poderoso ter invadido outro, com o objetivo de ficar com os seus bens naturais".
Já o autarca do Porto, Pedro Duarte, admite ser "uma grande notícia" que Nicolás Maduro, "um ditador tirano e autocrata com caraterísticas sanguinárias que maltratou o seu povo", tenha caído e deixado de ser líder da Venezuela. Ainda assim, pensa que "não houve uma motivação primordial dos EUA de querer alterar o regime para uma democracia e dar voz ao povo venezuelano".
"Para os EUA o que interessa é ter alguém que vá executar políticas de acordo com os seus interesses económicos e petrolíferos", afirma o social-democrata. Sublinha que "os princípios, valores e regras de convívio global" ficam, agora, postos em causa.
Na mesma linha, Alexandra Leitão considera assistir-se a "uma desordem internacional". Após o ataque do último sábado, a socialista teme que "amanhã possa ser o México, Cuba ou a Gronelândia".
A atual vereadora na Câmara Municipal de Lisboa considera que a União Europeia devia ter "exigido" o cumprimento do "direito internacional": "O ideal seria que a UE, em conjunto com Portugal, claro, tivesse feito uma declaração muito mais dura e muito mais assertiva do que aquela que fez."
O Presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro deverá comparecer esta segunda-feira perante um juiz de Nova Iorque às 12h00 locais (17h00 em Lisboa).