"Metáfora futebolística" foi "simplista" no discurso de Montenegro: Ronaldo é "espécie de pajem de assassino saudita"

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante a tradicional mensagem de Natal, na residência oficial, no Palácio de São Bento, em Lisboa, 24 de dezembro de 2025
Gabinete do primeiro-ministro/Lusa (arquivo)
No programa da TSF e CNN Portugal, O Príncipio da Incerteza, Alexandra Leitão diz "sim" ao otimismo, mas rejeita o "discurso simplista". Pacheco Pereira indigna-se com "a caução moral" na referência a Ronaldo. Já Pedro Duarte considera as críticas "pouco originais"
A mensagem de Natal do primeiro-ministro, Luís Montenegro, esteve em análise no programa da TSF e CNN Portugal, O Princípio da Incerteza, com Alexandra Leitão a advertir para a necessidade de "mais adesão à realidade".
A vereadora da Câmara Municipal de Lisboa afirmou que seria "mais honesto" e "empolgante para os portugueses" falar em questões sociais, como Saúde e Habitação. Na opinião da socialista, "os portugueses preferem que lhes digam a verdade até no Natal". A "metáfora futebolística" com "referência a Cristiano Ronaldo" não agradou a Alexandra Leitão, que a considerou "demasiado simplista".
Para a socialista, "otimismo sim" e "crescimento económico é um bom sinal", mas seria "justo dizer que vem de trás" e que "deve ser associado à redistribuição".
Na mesma linha, o historiador José Pacheco Pereira questionou o recurso ao exemplo de Cristiano Ronaldo pelo primeiro-ministro na mensagem ao país: "Não sou anti-Ronaldo, reconheço o mérito de ter feito essa vida, mas quando alguém é apresentado como um exemplo não basta isso, é preciso também saber se esse exemplo transporta uma ideia ética sobre a vida."
O historiador não se coíbe de afirmar que o avançado português é "uma espécie de pajem" de um "dirigente saudita que é um assassino conhecido por, entre outras coisas, ter organizado uma armadilha para esquartejar um jornalista".
Aos olhos de José Pacheco Pereira, a referência a Cristiano Ronaldo peca porque "uma coisa é jogar num clube da Arábia Saudita, porque pagam bem, e outra coisa é dar uma caução moral".
Relembrou a visita do jogador aos Estados Unidos da América: "Deu uma caução ética quer ao homem que o levou lá, o príncipe saudita, quer ao presidente Donald Trump." Por isso, sublinhou, "quando se apresenta alguém como exemplo, não se pode esquecer as circunstâncias".
Sobre a falta de referência aos problemas na Saúde na mensagem de Luís Montenegro, Pedro Duarte considerou as críticas como "pouco originais", porque em comunicados do género "há sempre muitos pontos que ficam de fora".
O social-democrata referiu que "é sabido que este é, tradicionalmente, um pico de pressão do ponto de vista sazonal junto dos serviços nacionais de saúde", e particularmente este ano, "a gripe está a alastrar de forma massiva pelo país".
Os "diretos consecutivos" da comunicação social "à porta das urgências", sugeriu ainda, "criam um sentimento de revolta" sobre o problema.