Ministro anuncia investimento em fragatas, blindados, satélites e drones. Sargentos preocupados com "vazio" nos recursos humanos

Foto: Rui Manuel Fonseca/Global Imagens (arquivo)
Em declarações à TSF, João Mata, da Associação Nacional de Sargentos, refere que, apesar de a "modernização do equipamento" ser "essencial", há "um vazio no que diz respeito à componente do fator humano neste investimento todo"
O presidente da Associação Nacional de Sargentos vê com preocupação o facto de o ministro da Defesa não ter incluído os recursos humanos nos investimentos que anunciou na quinta-feira.
Nuno Melo anunciou que a candidatura portuguesa aos empréstimos europeus SAFE inclui a aquisição de fragatas, recuperação do Arsenal do Alfeite e a produção de blindados, munições, satélites e drones em Portugal.
"Vamos investir em fragatas, em artilharia de campanha, em satélites, em veículos médios de combate, em viaturas estáticas, em munições, em sistemas antiaéreos e em drones, sendo que, no caso dos drones, o projeto do SAFE é liderado por Portugal", adiantou Nuno Melo, numa conferência de imprensa que decorreu no Instituto de Defesa Nacional (IDN), em Lisboa.
Em declarações à TSF, João Mata, da Associação Nacional de Sargentos, estranha que a aposta em pessoal não tenha sido mencionada.
"Não menorizamos as medidas que o Governo adotou no ano passado, efetivamente houve uma melhoria nas condições de vida dos militares. No entanto, [essas medidas], ao nível da retenção dos efetivos, ainda não se fizeram sentir. Os abates ao quadro permanente continuam a existir. Fala-se numa melhoria no recrutamento, mas do recrutamento até à retenção dos militares e depois a alocação desses efetivos a nível operacional também ainda não se faz sentir", explica à TSF João Mata, sublinhando que, apesar de a "modernização do equipamento" ser "essencial", há "um vazio no que diz respeito à componente do fator humano neste investimento todo".
No âmbito destes investimentos, Portugal vai desenvolver parcerias com Itália, França, Finlândia, Alemanha, Espanha e Bélgica. Questionado sobre a existência ou não de mão de obra qualificada suficiente nas Forças Armadas Portuguesas, João Mata reconhece que os recursos humanos são "deficitários", mas há tempo para recrutar e dar formação.
"Estamos muito abaixo dos recursos humanos e é necessário, acima de tudo, homens e mulheres motivados para frequentarem essa formação e para operarem estes equipamentos. Estamos a falar de um processo que vai levar algum tempo e temos um espaço temporal que poderá permitir trabalhar no sentido de recrutar esses recursos humanos", assegura, referindo que, para os recrutar, "é necessário criar condições para que esses recursos se fixem nas Forças Armadas e não optem por, ao fim de oito anos de quadro permanente, abaterem o quadro e irem trabalhar para uma empresa civil, aproveitando as qualificações que as Forças Armadas lhes forneceram".
Nuno Melo não detalhou ainda número de equipamentos ou a que empresas estes vão ser adquiridos, mas interrogado sobre que investimento terá maior peso, afirmou que "o programa mais avultado será relativo à Marinha", numa altura em que duas empresas, a francesa Naval Group, e a italiana Fincantieri, disputam o negócio de venda ao Estado português de duas a três fragatas.