PS e PCP acusam Governo de mentir sobre Girabolhos. Ex-líder da Endesa confirma desistência do projeto

Crédito: Nuno Veiga/Lusa (arquivo)
À TSF, Nuno Ribeiro da Silva confirma que a empresa desistiu de Girabolhos por "perda de confiança" depois de o programa de Governo de António Costa ter a intenção de o Plano Nacional de Barragens
PS e PCP consideraram esta sexta-feira falsa a tese do atual Governo de que a construção da barragem de Girabolhos, no Mondego, foi suspensa após acordo com o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), em 2016, contrapondo que foi decisão da Endesa. O presidente da empresa naquela altura confirma a desistência.
Em declarações à TSF, o ex-presidente da Endesa, Nuno Ribeiro da Silva, confirma que a empresa desistiu de Girabolhos porque não acreditou que o projeto para a construção da barragem fosse alterado.
"O quadro que estava fechado com o Estado é posto em causa quando o Plano Nacional de Barragens vai ser revisto. A partir do momento em que apareceu no programa do Governo a intenção de rever as condições em que tinha sido fechado [o acordo] com várias empresas, perde-se a confiança nos termos em que o Estado português define e acorda com os investidores que iam colocar centenas de milhões de euros", assegura.
O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, acusou, esta quarta-feira, os socialistas e "aqueles que fizeram parte da geringonça" de terem chumbado, há dez anos, a barragem de Girabolhos, que, segundo o governante, teria "impedido a tragédia" que se vive nos últimos dias, nomeadamente as cheias.
Em conferência de imprensa, o líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, acusou o ministro da Agricultura de ter "mentido" para procurar "tapar a incompetência" do atual Governo.
"A barragem de Girabolhos estava em processo de construção. Por isso, em 2016, estava fora de qualquer acordo em relação à revisão do Plano Nacional de Barragens. A suspensão da construção resultou da desistência da empresa construtora e exploradora da barragem", disse, numa alusão à Endesa.
Em 2024, no fim do Governo do PS, de acordo com Eurico Brilhante Dias, "estavam executados 12 milhões de euros, ligeiramente mais de um terço do montante".
"Na pasta de transição entre governos, ficou naturalmente a continuidade deste programa. Hoje, passados praticamente dois anos de governos da AD, não conhecemos o desenvolvimento deste programa Mondego + Seguro. Em 2024, mesmo numa circunstância de seca no país, o Governo do PS relançou a barragem de Girabolhos, não com a finalidade de exploração energética, como estava considerado na barragem em 2016, mas para a resiliência e para a prevenção de cheias na bacia do Mondego", acrescentou.
No caso do Mondego, o Governo já anunciou que, no final de março, será lançado o concurso para a construção da barragem de Girabolhos.
