Ideia de que está instalada uma crise política é "totalmente artificial"

Direita e Esquerda deixaram o PS isolado no Parlamento e deram força aos professores para derrotar o governo no braço de ferro da recuperação do tempo de serviço.

O Bloco de Esquerda nega que esteja instalado um "ambiente de crise política" depois de a Direita e a Esquerda se terem unido para aprovar a contagem integral do tempo de serviço dos professores, deixando os socialistas isolados nas votações no Parlamento.

"A manhã parece marcada por tentativas de criar um ambiente de crise política. Esse ambiente é totalmente artificial", escreveu esta sexta-feira Catarina Martins no Facebook.

A líder do Bloco de Esquerda assegura que a solução encontrada "não representa qualquer acréscimo de despesa no ano em curso e respeita a autonomia negocial do próximo governo", limitando-se a "corrigir" um decreto-lei do Governo que "desrespeita" o estipulado nos Orçamentos do Estado para 2018 e 2019.

Também o CDS recorreu ao Facebook para negar que tenha aprovado o pagamento do tempo integral dos Professores. Os centristas esclarecem que a alteração ao diploma estabelece que os professores têm direito à contagem de toda a carreira congelada, em vez dos menos de três anos conseguidos após mais de um ano de negociações entre sindicatos e Governo.

O PS está a acusar os outros partidos, tanto à esquerda como à direita, de "irresponsabilidade" e de pôr em causa a legislatura.

"Um espetáculo de enorme irresponsabilidade" - é assim que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, classifica o caso em entrevista à TSF , apelando aos partidos que reconsiderem a decisão.

Isto depois da aprovação, na especialidade, de uma alteração ao decreto do Governo, estipulando agora claramente que o tempo de serviço a recuperar são os nove anos, quatro meses e dois dias reivindicados pelos docentes.

Na comissão parlamentar de Educação e Ciência, uma nova redação do artigo 1.º do diploma foi aprovada com os votos de PSD e CDS e abstenção do PCP e do Bloco.

Ficou ainda acordado que os dois anos, nove meses e dois dias de tempo de serviço congelado aos professores que o Governo queria devolver faseadamente sejam pagos até 2020 e com efeitos retroativos a janeiro de 2019.

O Governo e o PS têm considerado que esta medida terá "pesado" impacto financeiro nas contas públicas, entre 600 e 800 milhões ao ano, apresentando também problemas de constitucionalidade.

O primeiro-ministro convocou de emergência os membros da coordenação política do Governo para uma reunião de trabalho esta sexta-feira, em São Bento, com a presença do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

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