Sócrates abandona PS. "Pronto, a decisão está tomada"

Antigo primeiro-ministro pede desfiliação. Acusa PS de se juntar à Direita para "criminalizar uma governação".

"É chegado o momento de pôr fim a este embaraço mútuo", escreve José Sócrates, num artigo publicado no Jornal de Notícias com o título "A clarificação devida". O antigo primeiro-ministro e líder socialista considera "uma injustiça" as declarações feitas nos últimos dias pela direção do PS sobre o caso Manuel Pinho e, por isso, enviou uma carta ao PS em que pede a desfiliação do partido.

No artigo que assina, Sócrates acusa o PS de estar ao lado da Direita "na tentativa de criminalizar uma governação". Para o antigo líder socialista, as declarações de dirigentes como Carlos César ultrapassam "os limites do que é aceitável no convívio pessoal e político".

José Sócrates insiste que foi vítima de abusos do Ministério Público nos últimos quatro anos e critica a direção do partido por ter ficado em silêncio. O antigo primeiro-ministro diz agora que é forçado a ouvir "uma espécie de condenação sem julgamento".

Sobre Manuel Pinho, Sócrates espera que ele "negue imediatamente as alegações" de que é alvo porque é "honesto e incapaz de uma coisa dessas" como "receber vencimento privado enquanto exercia funções públicas".

O ex-primeiro-ministro acredita que Pinho vai dar esclarecimentos, mas "quando achar que o deve fazer". Sócrates explica ainda que a escolha de Manuel Pinho para o Governo "aconteceu naturalmente na decorrência de uma colaboração que há muito prestava como independente".

A ideia de que foi Ricardo Salgado a sugerir Manuel Pinho para o Governo é, para Sócrates, uma "ignóbil intrujice" que o Ministério Público vai ter de provar.

Recorde-se que Carlos César, em declarações à TSF, e questionado sobre o caso de Manuel Pinho, disse que com José Sócrates a vergonha do PS "ainda é maior". No seguimento, também João Galamba falou em vergonha, na antena da SIC Notícias, quando se dirigiu ao caso José Sócrates, o principal arguido da Operação Marquês.

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