Autarca de Alvaiázere pede reforço das Forças Armadas nos processos de reparação para evitar mais mortes

Carlos Barroso/Lusa
À TSF, João Paulo Guerreiro sublinha que, caso as reparações nas infraestruturas não sejam realizadas com caráter de urgência, o concelho vai "sofrer muito mais"
O presidente da Câmara de Alvaiázere, João Paulo Guerreiro, agradece o apoio que tem chegado ao concelho de Leiria, depois do apelo que fez na manhã desta segunda-feira. Ainda assim, pede maior envolvimento das Forças Armadas para evitar mais mortes num processo de reparação que exige profissionais especializados.
Em declarações à TSF, o autarca começa por defender que teria sido benéfico ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ainda que admita que até mesmo este dispositivo pudesse não ser o "suficiente", uma vez que o hiato para a reconstrução "é muito curto" e a deslocação de meios estrangeiros "demora tempo". Acredita, por isso, que os meios poderiam não chegar a tempo de evitar os impactos da nova depressão Leonardo, que ameça o país.
"Se nós considerarmos que os meios existentes estão distribuídos de forma equivalente por todo o território, vemos que não vão chegar a Alvaiázere, com certeza. Não posso falar por outros territórios, mas acho que precisamos, sim, de um apoio de proteção civil mais robusto. Agora, temos de trabalhar com o que temos à disposição. Esperemos que eu esteja enganado e que os meios que temos agora à disposição sejam suficientes", afirma.
Depois do apelo do autarca, chegaram a Alvaiázere bombeiros da Guarda e houve um reforço de 19 militares do Exército. João Paulo Guerreiro considera essa ajuda importante, mas sublinha que faltam meios e profissionais especializados na reparação de telhados para evitar mais mortes. Por essa razão, pede o envolvimento "das companhias de engenharia das Forças Armadas", visto que, na sua opinião, "têm meios e conhecimento necessários" para trabalhar neste processo "com muita rapidez".
"Percebo que não conseguirão chegar a todo o lado, mas não podem ficar nos quartéis, porque, aí, não resolvem qualquer problema", assinala.
A ideia foi igualmente transmitida por João Paulo Guerreiro esta segunda-feira à tarde à ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral. Na reunião com a governante, alertou para a urgência das reparações, já que na terça-feira chega a Portugal a nova depressão Leonardo.
"É prioridade recuperar rapidamente, mesmo que de forma provisória, as infraestruturas afetadas", alerta, acrescentando: "Se não for neste curto espaço de tempo, vamos sofrer muito mais, com muito mais desalojados nas próximas semanas, com mais empresas a verem a sua produção e atividade afetada por um período de tempo maior."
O autarca de Alvaiázere acredita que Maria Lúcia Amaral saiu sensibilizada e consciente da reunião e espera que ajude a resolver alguns dos problemas.