Determinada a salvar bens, família contraria ordens dos bombeiros e resiste a sair de armazém cercado pela água em Coimbra

Créditos: TSF
As tentativas para retirar a família não foram bem sucedidas, por isso, as autoridades ajudam na tarefa de retirar a água do local. Quatro pessoas encontram-se no primeiro andar de um armazém, numa zona de estufas e campos agrícolas, que, neste momento, está totalmente inundada
A subida das águas do Mondego não dá descanso aos moradores da região. Muitos poderiam pensar em sair ou abandonar as suas casas, mas a determinação para salvar os seus pertences é mais forte. Em São João do Campo, no concelho de Coimbra, quatro pessoas resistem a sair de um armazém cercado pela água na tentativa de proteger os seus bens, contrariando as ordens dos bombeiros.
As tentativas para retirar a família não foram bem sucedidas, por isso, as autoridades ajudam na tarefa de retirar a água do local. As quatro pessoas encontram-se no primeiro andar de um armazém, numa zona de estufas e campos agrícolas, que, neste momento, está totalmente inundada.
Luís Vicente, de 86 anos, é familiar das pessoas que recusam sair de casa e conta, aos microfones da TSF, que estão há dez dias cercados pela água. Com a rutura do dique, o rio subiu ainda mais, mas os moradores garantem que não saem, a menos que a água suba a uma altura descomunal.
Assegura também a família tem comida e água para se manter dentro de casa: "O armazém tem um primeiro andar e eles estão altos, têm lá comida, têm água. Por enquanto, [a água] ainda não está a chegar às arcas, onde está a comida. Vamos esperar para ver se não sobe mais", afirma, sublinhando que o prejuízo já é "muito grande".
"Já têm quase meio metro de água dentro do armazém. Os sacos de adubos para as plantas já estão todos inundados e estragados", lamenta, referindo que, neste armazém, há "coisas que são pesadas, não se podem tirar à mão, máquinas, telhas que queriam doar e estantes cheias de livros".