Situação em Montemor-o-Velho "está mais calma". Autarca fala numa população "forte e resiliente"

Créditos: Paulo Novais/Lusa
A barragem de Aguieira chegou a estar acima dos 99%. Será realizada uma "descarga grande", pois "vai continuar a subir"
O presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, garante à TSF que, por esta altura, "a situação está um pouco mais calma". Esta manhã, a margem direita do canal principal do rio Mondego partiu e está a canalizar água para o canal de rega em frente à ETAR de Formoselha.
"Neste momento o trabalho continua a ser de monitorização, temos as equipas no terreno", afirma à TSF José Veríssimo. O autarca conta que a freguesia de Ereira continua isolada e que "existem dois anfíbios a transportar pessoas e alimentos". Sublinha que agora é "esperar calmamente que as águas comecem a encostar a Montemor-o-Velho para voltar a encaminhá-las para o leito principal".
Ao início da manhã, a bacia do Mondego era a única do continente em situação de risco, com o volume de armazenamento da barragem de Aguieira acima dos 99%. O presidente da câmara de Montemor-o-Velho adianta que será realizada uma "descarga grande", pois, mesmo "o vale central sendo muito grande, vai continuar a subir". Há previsão de chuva para a noite desta quinta-feira para sexta-feira.
"A nossa perspetiva é que vamos ter uns dias para encher e depois vamos criar condições para que [a água] volte para o Mondego", afirma.
O nível de máxima cheia da Aguieira é de 126 metros, altura a partir da qual aquela albufeira não consegue receber mais água e tem de a libertar, por poder pôr em causa a segurança da própria barragem.
"As pessoas felizmente reagiram bem. A comunicação do município esteve atenta, próxima das populações. Felizmente está a ser uma cheia lenta", sublinha.
José Veríssimo deixa claro que "é sempre uma situação dolorosa", mas tem a certeza que a população é "forte e resiliente": "Continuamos com muitas pessoas disponíveis para colaborar e tem sido uma grande força entre todos nós."
Na quarta-feira, a margem direita do Rio Mondego, nos Casais, Coimbra, também colapsou e levou ao encerramento da Autoestrada 1.
