"Uma pessoa nem tem palavras." Moradores de Coimbra vivem dias "dolorosos" após subida das águas do Mondego

Cheias em Coimbra
Créditos: TSF
Após as inundações em Coimbra, os habitantes pernoitam em escolas e "avaliam" se é possível regressar a casa
As águas do Mondego continuam a deixar em sobressalto quem vive em Coimbra, os habitantes "não têm palavras" para o caos que se instalou na região devido às cheias. Não podendo fazer o caminho habitual para chegar à região pela A1, devido ao troço que ruiu na sequência do rebentamento do dique da margem direita do Mondego, a TSF utilizou a A31. No meio de um para-arranca intenso, o trânsito avança a passo de caracol, mas esta é, e será, uma das alternativas que se prevê utilizar nas próximas semanas ou mesmo meses.
Numa escola básica em Taveiro que fica próxima do rio e a dez minutos do centro da cidade, pernoitam quase 25 pessoas. Carlos Neto, morador de Carregais, localidade próxima do rio Mondego, admite à TSF que nem tentou ficar em casa: "A minha casa fica a 300/400 metros do rio. Estou aqui [a residir na escola de Taveiro] há duas noites, mas em princípio vou hoje para casa."
"Ainda não me disseram nada, mas eu posso ir para casa, a responsabilidade é minha. Tenho três filhos menores, vou analisar a situação e ver. Se puder ir, vou", diz.
As pessoas continuam à espera de indicação por parte das autoridades para voltar a casa. Enquanto isso, mantêm-se na escola de Taveiro com a ajuda de voluntários.

Uma dessas voluntárias é Alice, que pertence a um agrupamento de escuteiros. Conta à TSF que muitas das pessoas vão apenas pernoitar nas instalações escolares.
"Já houve pessoas a sair, mas voltam. Ainda não se sentem verdadeiramente seguras [para voltar para casa]. Damos todo o apoio: alojamento, dormida, higiene, alimentação... está cá tudo", salienta.
Alice dá conta que existem famílias completas, idosos e crianças a dormir na escola, numa altura em que ainda não se sabe por mais quanto tempo terão de ficar até poderem regressar às suas casas.

Em Casais, outra localidade bem próxima de Taveiro, dos poucos estabelecimentos abertos é o Café Popular. A TSF falou com Rosa, enquanto a mulher fazia contas à vida: "Fui buscar o meu irmão e a minha cunhada, que têm uma deficiência, a Ribeira de Frades [povoação próxima do rio] e trouxe-os para aqui. Lá, quando há cheias, entra logo água na casa dele."
Rosa dá conta que outro dique está em risco de ruir perto da localidade de Pé de Cão (Coimbra), onde "muitas pessoas vivem em casas baixas e seria doloroso".
"Tivemos muitas árvores a cair, muitos cortes de energia, isso tem sido doloroso, deixa o pessoal em pânico. Uma pessoa nem tem palavras para esta situação", lamenta.