Dois militares da GNR acusados de extorsão a imigrantes através de contraordenações falsas

Créditos: Pedro Correia (arquivo)
Entre os casos exemplificados, está um episódio em que um imigrante bengali foi mandado parar quando circulava de bicicleta. Como não tinha passaporte ou identificação foi informado de que teria de pagar uma multa de 60 euros em numerário. Se não o fizesse, o valor chegaria a 300 euros. O valor cobrado, porém, nunca foi entregue no posto e a multa não chegou a ser passada
O Ministério Público acusou dois militares da GNR de Tavira de mais de uma dezena de crimes, incluindo de extorquirem dinheiro a imigrantes indostânicos, através de multas inventadas. Os agentes estão agora em prisão domiciliária.
A informação é avançada pelo jornal Expresso, que teve acesso à acusação do Ministério Público. Os guardas José Augusto e Diogo Ribeiro estão acusados de 27 crimes, incluindo abuso de poder, peculato, falsificação e concussão.
No total, é estimado que os dois agentes tenham extorquido cerca de 1800 euros a imigrantes nas várias operações stop. As multas eram fabricadas ou os valores aplicados superiores ao previsto pela lei. Os guardas ter-se-ão aproveitado da "falta de domínio da língua portuguesa" por parte destes cidadãos para "informá-los que tinham praticado contraordenações inexistentes".
Na acusação, o Ministério Público afirma ainda que José Augusto e Diogo Ribeiro "elaboraram um plano conjunto, por forma a se aproveitarem da sua qualidade de militares da GNR" e detalha que escolheram como alvo "cidadãos estrangeiros, provenientes do Bangladesh, Nepal, Paquistão e Índia".
Os crimes ocorreram durante nove meses, entre junho de 2024 e fevereiro de 2025, e afetaram cerca de 24 vítimas. Foi a própria GNR, após responsáveis terem tomado conhecimento destes comportamentos, quem conduziu uma investigação interna, que culminou com a detenção dos dois militares, que estão agora em prisão domiciliária.
No despacho, o Ministério Público garante que as alegadas vítimas sentem "muito medo" dos arguidos e entende que o comportamento de ambos os militares da GNR como "muito grave e indigno do cargo".
Entre os casos exemplificados, está um episódio em que um imigrante bengali foi mandado parar quando circulava de bicicleta. Como não tinha passaporte ou identificação foi informado de que teria de pagar uma multa de 60 euros em numerário. Se não o fizesse, o valor chegaria a 300 euros. O valor cobrado, porém, nunca foi entregue no posto e a multa não chegou a ser passada.
