"Direita não é alternativa." Costa pede "maioria reforçada e estável"

O primeiro-ministro confessa estar "orgulhoso da caminhada" que conseguiu fazer desde 2016 até agora e diz partilhar a frustração "com os eleitores que em 2019 votaram para dar continuidade à geringonça".

António Costa afirmou, esta quarta-feira, que a "direita não é alternativa" e pediu "uma maioria reforçada e estável numa próxima sessão legislativa". No discurso de encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2022, o primeiro-ministro confessou que, para si, "um voto contra da esquerda à esquerda do PS neste Orçamento não é só uma frustração pessoal, é também uma derrota pessoal".

No entanto, Costa disse estar "orgulhoso da caminhada" que conseguiu fazer desde 2016 até agora. "Orgulho de ter sido possível manter um conjunto de partidos à esquerda com uma identidade bem vincada em que ninguém confunde uns com os outros e ao longo de seis Orçamentos consecutivos terem sido encontradas soluções", admitiu.

"Tenho pena, por isso, que não se queira tirar todo o potencial desta solução governativa", afirmou, acrescentando que partilha esta frustração "com os eleitores que em 2019 votaram para dar continuidade à geringonça".

Segundo Costa, "não é necessário que o BE, o PCP ou o PEV votem a favor". "Os votos do PS são suficientes para derrotar os votos da direita. Basta que os que estão à esquerda do PS não somem os seus votos aos votos da direita para que o OE do PS possa ser viabilizado nesta fase da generalidade", explicou.

"Não excluiremos os partidos à nossa esquerda da responsabilidade de também serem partidos de solução para os problemas nacionais", atirou.

No início do discurso, António Costa mostrou-se "sereno", "com a liberdade de quem está de consciência tranquila" e voltou a sublinhar que a proposta de Orçamento do Estado apresentada é "boa" e "responde às necessidades do país".

"O Governo cumpriu a sua parte", afirmou, explicando que o que voto vai determinar "é se o trabalho parlamentar acaba já ou se vai prosseguir em sede de especialidade".

"Chumbar esta proposta de lei na generalidade é impedir a consolidação dos avanços que as negociações já permitiram e é fechar a porta a novos avanços que a discussão na especialidade pode vir a abrir", considerou Costa, relembrando o discurso de Inês Sousa Real, porta-voz do PAN.

"Qual a racionalidade de impedir novas melhorias?", questionou, acrescentando que "mais estranho ainda é chumbar este Orçamento em nome de divergências que nada têm a ver com este Orçamento", referindo-se especificamente às nove propostas do Bloco de Esquerda. De acordo com o primeiro-ministro, oito destas propostas terão o tempo certo para serem discutidas "e nada têm a ver com a proposta de lei deste Orçamento de Estado".

Relativamente à nona proposta do BE, ou seja, a possibilidade de reforma antecipada aos 60 anos para quem tem 80% de incapacidade, Costa diz que foi dada resposta positiva para ser discutida em sede de especialidade.

Dirigindo-se a Rui Rio, António Costa disse: "Nós não estamos à espera que o PRR resolva o problema. Debatemo-nos na Europa para que a Europa tivesse uma resposta robusta para esta crise económica e não respondesse com austeridade, mas com solidariedade."

"Não ficámos a espera que o PRR se desenhasse por acaso. Trabalhámos e envolvemos toda a sociedade portuguesa nesse desenho do PRR", acrescentou, sublinhando que o PS "não virou as costas às responsabilidades para com os portugueses", relembrando o combate contra a pandemia e os avanços do processo de vacinação.

"A última coisa que Portugal precisa é uma crise política nestas circunstâncias", vincou.

"Em democracia nunca há becos sem saída, há sempre alternativas, a primeira e a melhor é a que está nas mãos da Assembleia da República", disse Costa, pedindo a viabilização do Orçamento para que as melhorias possam prosseguir na especialidade.

No final do discurso, admitindo o cenário do chumbo da proposta de Orçamento, António Costa avançou que "cá estará o Governo para garantir condições de governabilidade, mesmo em duodécimos".

"Nunca viramos as costas à adversidade", indicou. Se houver eleições legislativas antecipadas, António Costa frisou que lá estará "para prestar contas e mobilizar os portugueses para criar as condições de governabilidade que hoje deixarão de existir".

"Para conduzirmos Portugal para um futuro de progresso, de modernidade e de justiça que os portugueses merecem. Pedindo de novo emprestadas ao Jorge Palma as suas palavras, enquanto houver vento e mar a gente não vai parar. Nós não vamos parar", finalizou.

"Podem contar com o Governo para continuar a assegurar a governação do país"

Depois da votação que ditou o chumbo do Orçamento do Estado para 2022, com curtas declarações no final da votação e com todos os membros do Governo atrás, António Costa garantiu que o Governo sai desta votação de consciência tranquila e cabeça erguida.

"Podem contar com o Governo para continuar a assegurar a governação do país, mesmo nas condições mais adversas. Esta decisão não permite avançar nestas negociações do Orçamento. Cabe ao Presidente da República tomar as decisões que entenda tomar", rematou o primeiro-ministro.

LEIA AQUI TUDO SOBRE O ORÇAMENTO DO ESTADO 2022

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